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Mulher é morta a tiros em Sapucaia do Sul dois dias após Justiça negar medida protetiva

A ordem de busca por celular na cela do ex, investigado como mandante, só chegou à Polícia Penal nesta terça (20), quando ele já tinha sido transferido.

Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 3 min de leitura

Foto: Mulher é morta a tiros em Sapucaia do Sul dois dias após Justiça negar medida protetiva
Foto: Divulgação/Assembleia Legislativa do RS

Kimberli Neves Gomes, 32 anos, foi morta a tiros na madrugada de domingo (18), em frente à casa onde morava, no bairro Duque de Caxias, em Sapucaia do Sul . A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio. O ex-companheiro dela, Adrian Rian Dornelles Farias, 25 anos, que estava preso, é apontado como suspeito de ter mandado matá-la.

Quadro: Mulher é morta a tiros em Sapucaia do Sul dois dias após Justiça negar medida protetiva
Ficha de serviço · Bairrista

Dois dias antes, na sexta-feira (16), Kimberli havia pedido medidas protetivas contra ele. A Justiça negou o pedido porque Adrian já estava na cadeia. A ordem para procurar um celular na cela dele só foi recebida pela casa prisional nesta terça (20), e ele já havia sido levado para outra unidade.

Pedido negado no fim da tarde de sexta

Segundo o Judiciário gaúcho, o pedido chegou para análise no final da tarde de sexta. A juíza Flavia Maciel Pinheiro Giora, de Esteio, negou as medidas às 18h55. Ela entendeu que, com o requerido recolhido ao sistema prisional, não cabiam naquele momento as proibições de contato e de aproximação.

A mesma decisão mandou oficiar o diretor da casa prisional. A juíza pediu esclarecimentos sobre se Adrian tinha autorização para usar telefone e providências para apurar, e se fosse o caso encerrar, o contato com a vítima. O Judiciário informou que também determinou à Polícia Penal uma busca na cela para localizar e apreender aparelho telefônico.

A Polícia Penal informou que só recebeu essa ordem nesta terça (20). Na segunda (19), por iniciativa dos próprios policiais penais, já havia sido feita uma busca na galeria onde Adrian estava, atrás de celulares. Nenhum dos dois órgãos explicou o intervalo entre a decisão e o recebimento da ordem.

O que a polícia apurou

O delegado regional Cristiano Reschke afirmou que Adrian é investigado como mandante e que a polícia tenta identificar os executores. Até a última atualização, ninguém havia sido preso pela execução . Testemunhas relataram que os disparos partiram de três pessoas em um carro vermelho. A investigação está a cargo da 2ª Delegacia de Polícia de Sapucaia do Sul, sob responsabilidade do delegado Fabiano Kepp , e tramita sob sigilo .

Segundo Reschke, Kimberli estava em casa quando um veículo parou em frente à moradia. Ela reconheceu o carro, que já tinha sido dela e que o ex havia retirado, foi abordar os ocupantes, houve uma discussão e ela foi executada. Quando a Brigada Militar chegou, a mulher estava caída, com várias perfurações. Ela foi levada com vida ao Hospital Getúlio Vargas, em Sapucaia do Sul, mas morreu durante o atendimento. Os policiais apreenderam uma pistola que ela tinha na cintura, travada e municiada, registrada em nome de outra pessoa.

Ameaças e relato à polícia

A filha da vítima disse que o ex-companheiro ligou e ameaçou a mãe de morte pouco antes do crime. Ao registrar a ocorrência por violência psicológica, Kimberli contou que viveu quatro anos em união estável com Adrian e que estavam separados havia cerca de quatro meses. Disse também que ele ligava da cadeia e queria o carro registrado no nome dela. Relatou ainda que um casal de moto fotografava a casa dela.

Reschke afirmou que, no registro, ela não mencionou ameaças de morte e falou em disputa por bens. Segundo o delegado, familiares passaram a relatar essas ameaças só depois do crime.

A defesa de Adrian não havia se manifestado até a publicação desta matéria. Se o feminicídio for confirmado, será o 63º registrado no RS em 2026. Kimberli deixa quatro filhos. O velório ocorreu na segunda (19), na capela da Funerária Pedroso, e o sepultamento foi no Cemitério Pio XII.

Serviço

Quem tiver informações que ajudem a esclarecer o crime pode ligar, inclusive de forma anônima, para o 181 ou usar o canal de denúncias da 2ª Delegacia de Polícia de Sapucaia do Sul. Mulheres que sofrem ameaças ou violência podem procurar uma delegacia ou a Delegacia Online da Mulher, onde também é possível pedir medidas protetivas. O Estado mantém ainda o serviço Escuta Lilás, pelo 0800 541 0803.

Perguntas frequentes

Quem é a vítima do crime em Sapucaia do Sul?

Kimberli Neves Gomes, de 32 anos, foi morta a tiros na madrugada de domingo (18), em frente à casa onde morava, no bairro Duque de Caxias.

Por que a medida protetiva foi negada?

A juíza Flavia Maciel Pinheiro Giora, de Esteio, negou o pedido às 18h55 de sexta (16) porque o requerido, Adrian Rian Dornelles Farias, já estava recolhido ao sistema prisional.

Onde denunciar ameaças ou violência contra a mulher no RS?

Pelo 181 (anônimo), em uma delegacia, na Delegacia Online da Mulher ou pelo serviço Escuta Lilás, no 0800 541 0803.

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