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Muçum: TCC da Univates propõe requalificar Centro e orla do Taquari após três cheias

O estudo de Arquitetura e Urbanismo parte de um histórico em que 896 famílias ficaram desalojadas entre setembro de 2023 e maio de 2024.

Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 2 min de leitura

Ilustração: cena simbólica sobre clima no Vale do Taquari
Ilustração: Bairrista

Um trabalho de conclusão de curso de Arquitetura e Urbanismo da Univates propõe requalificar o bairro Centro de Muçum e a orla do Rio Taquari. A proposta combina prevenção a cheias, preservação da memória das tragédias e infraestrutura. O projeto articula prevenção, memória e infraestrutura. Ele ganhou divulgação nesta quarta (28).

Para o morador do Vale do Taquari, o estudo mostra um caminho para reorganizar áreas vulneráveis. O projeto apresenta alternativas para reduzir os impactos de futuras inundações. A prefeitura não divulgou quantas famílias moram hoje em área de risco de cheia.

Três cheias em oito meses

Entre setembro de 2023 e maio de 2024, Muçum foi atingida por três cheias. Em maio de 2024, o Rio Taquari chegou a 26,35 metros, o maior nível já registrado no município. Em setembro de 2023, o rio havia chegado a 22 metros.

Ao todo, 896 famílias foram desalojadas e 220 perderam definitivamente suas casas. Segundo o trabalho, 90% do comércio local foi afetado.

O que já saiu do papel

A reconstrução de Muçum já tem recursos na conta. Segundo a Agência Pública, em reportagem de abril de 2025, o município recebeu pelo menos R$ 40 milhões do governo federal e R$ 8 milhões do governo estadual, além de R$ 12 milhões do caixa municipal. A maior parte vai para projetos habitacionais.

Para ganhar uma casa nova, o morador doa à prefeitura o terreno da antiga. A administração planeja instalar parques e praças nesses locais. Segundo a Agência Pública, o então prefeito Mateus Trojan explicou que tirar a população de áreas alagáveis elimina o risco. Com isso, os alertas passam a se dirigir apenas a quem pode ser afetado por cheias excepcionais.

Em outra frente, 42 casas foram construídas com recursos do Movimento União BR, do governo do RS e da prefeitura. No loteamento Renascer, a previsão é de mais 72.

Plano diretor e dados técnicos

Muçum também aparece no trabalho da Univates sobre planos diretores no Vale do Taquari. Arroio do Meio, Colinas, Cruzeiro do Sul, Encantado, Estrela, Muçum e Roca Sales devem ganhar planos próprios, com rotas de fuga para emergências. O diagnóstico aponta que o loteamento Cidade Alta III, em Muçum, está previsto para área sem aptidão para urbanização, com topografia acentuada.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) publicou em 2026 uma nota técnica com cotas de inundação de oito estações fluviométricas da bacia do Taquari, entre elas a de Muçum, de código 86510000. Os levantamentos servem de base para modelar manchas de inundação, ordenar o território e calibrar alertas.

A Defesa Civil do RS emite avisos com base em previsões de centros de meteorologia e lembra que alertas são previsões, que podem ou não se confirmar. Em caso de emergência, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199.

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