Milhares marcham na Colômbia contra De la Espriella e o Decreto 1525; Petro não discursa
Mobilização convocada por professores, centrais sindicais e oposição teve paralisação no TransMilenio, de Bogotá, e críticas da Defensoría del Pueblo ao decreto que regula protestos.
Redação Bairrista · 14 de outubro de 2026 às 19:19 · 2 min de leitura

Professores, sindicatos, estudantes e opositores foram às ruas em mais de 10 cidades da Colômbia nesta quarta (14) contra o governo de Abelardo de la Espriella, que completa dois meses no poder. Foi a primeira grande jornada de protesto contra o presidente, com atos em Bogotá, Cali, Medellín e Bucaramanga, entre outras cidades.
As marchas foram as primeiras sob o Decreto 1525, assinado na véspera, que muda as regras de atuação da polícia em manifestações. Até a tarde, não havia registro de enfrentamentos. Em Bogotá, houve transtornos na mobilidade e uma granizada sobre quem estava na Plaza de Bolívar.
Petro circulou entre a multidão, mas não subiu ao palanque
O ex-presidente Gustavo Petro havia confirmado presença no ato da capital. Ele não apareceu no palanque, mas caminhou entre os manifestantes diante do Capitólio Nacional. O senador Iván Cepeda também se juntou à marcha. Pela manhã, nas redes, ele escreveu que o decreto foi feito "para reprimir la protesta social".
O TransMilenio, sistema de transporte da capital, informou 468.913 usuários afetados pelas manifestações até as 16h20. As autoridades não divulgaram contagem oficial de manifestantes por cidade.
Decreto permite à polícia pular etapas de diálogo
O decreto, de 13 de outubro, modifica e acrescenta regras ao Decreto 003 de 2021, que trata da atuação das autoridades em manifestações públicas. Pelo texto, o diálogo é a regra preferencial, mas não adia a intervenção policial contra quem cometa violência física.
A polícia pode pular as três primeiras etapas de atuação quando houver razões objetivas que as tornem impossíveis. A autoridade precisa registrar na ata do Posto de Comando Unificado por que omitiu cada nível. O texto mantém a proibição de armas de fogo e a regra de não intervenção das Forças Militares.
A Defensoría del Pueblo, órgão de defesa de direitos humanos da Colômbia, criticou a norma. Para ela, o decreto tende a classificar como violentos atos que não necessariamente o são, como o bloqueio de vias e a interrupção de serviços. A Defensoría acompanhou as marchas em 62 pontos do país.
Governo diz que a norma protege quem protesta em paz
Ao assinar o decreto, De la Espriella escreveu que ele fortalece as garantias de quem se manifesta pacificamente e permite agir contra quem queira "sembrar el caos". Durante o dia, o presidente afirmou nas redes que o direito de protestar não está acima do direito de trabalhar, estudar e se movimentar. Ele acompanhou a situação da ordem pública da Casa de Nariño.
Professores e indígenas levam outras pautas às ruas
Sindicatos, organizações indígenas e grupos de esquerda protestam contra as políticas econômicas, trabalhistas e de segurança do governo. Entre as pautas estão a saúde dos professores e a política para os povos indígenas. Os manifestantes também criticam o Estatuto Antiterrorista, que o Executivo prepara.
Em Bogotá, a marcha coincidiu com uma paralisação de 24 horas da Asociación Distrital de Educadores.
Perguntas frequentes
O que é o Decreto 1525 da Colômbia?
Decreto de 13 de outubro que modifica o Decreto 003 de 2021 e muda as regras de atuação da polícia em manifestações. O diálogo é a regra preferencial, mas não adia a intervenção contra quem cometa violência física.
Por que houve protestos na Colômbia em 14 de outubro?
Professores, sindicatos, estudantes e opositores protestaram contra o governo de Abelardo de la Espriella, que completa dois meses no poder, e contra o Decreto 1525, em mais de 10 cidades.
O que a Defensoría del Pueblo disse sobre o decreto?
Criticou a norma e afirmou que ela tende a classificar como violentos atos que não necessariamente o são, como bloqueio de vias e interrupção de serviços. O órgão acompanhou as marchas em 62 pontos do país.
Quantas pessoas foram afetadas no TransMilenio em Bogotá?
O sistema informou 468.913 usuários afetados pelas manifestações até as 16h20. Não houve contagem oficial de manifestantes por cidade.
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