Meta diz ao TSE que trata Lula e Flávio igual e revisa em 2 horas bloqueio de anúncios
Empresa analisou 1.204 publicações apontadas no processo e atribui a falha na IA a erro técnico; o ministro Marco Aurélio Bellizze ouviu as duas campanhas.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

A Meta, dona de Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp, informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na terça (20) que adotou medidas para garantir tratamento igualitário às candidaturas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Restrições automatizadas às contas de anúncios das campanhas passaram a ser submetidas a revisão humana em até duas horas.

A decisão do TSE é nacional e não traz medida específica para o Rio Grande do Sul. Ela trata, porém, da circulação de conteúdo eleitoral no Instagram, Facebook e WhatsApp, redes que eleitores de todo o estado usam para acompanhar a campanha. O segundo turno foi disputado no domingo (25).
O que a Meta apresentou ao TSE
Segundo a empresa, foram analisadas 1.204 publicações apontadas no processo. Pelo relatório, 720 foram removidas, 270 já continham identificação de conteúdo sintético e 214 foram consideradas não relacionadas a conteúdo eleitoral.
A Meta também sustenta que seus sistemas de recomendação aplicam os mesmos critérios às duas candidaturas e juntou uma declaração técnica sobre o funcionamento dos algoritmos. A empresa negou interferência no processo eleitoral ou favorecimento político e atribuiu os problemas relatados a questões técnicas.
O que a campanha de Lula pediu
A campanha de Lula acionou o TSE na quarta (14). A petição fala em "seletividade algorítmica": conteúdos e anúncios do presidente estariam restritos sem justificativa transparente, enquanto perfis ligados ao adversário teriam entrega desproporcional. O pedido incluía remover as restrições e compensar em dobro o alcance que teria sido perdido.
O estopim foi a Meta AI, no WhatsApp. A ferramenta recusou cartazes com o nome de Lula e o número 13, mas gerou imagens para Flávio Bolsonaro, com o 22. A Meta disse que, para cumprir as regras eleitorais, proibiu temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles. Depois, atribuiu o problema a um erro de configuração nos filtros de nomes simples dos candidatos e disse que já tomou medidas corretivas.
O que o relator decidiu
Bellizze, relator do caso, deu 24 horas à Meta na segunda (19) para comprovar o cumprimento das decisões. Em caso de descumprimento, a multa diária poderia subir de R$ 500 mil para R$ 1 milhão. Na semana anterior, o plenário do TSE confirmou por unanimidade a ordem de igualdade de tratamento. O ministro voltou a cobrar explicações porque a empresa passou do prazo inicial de 72 horas.
A Meta pediu uma reunião, realizada na terça (20) com as duas campanhas. Bellizze afirmou: "Transparência e igualdade entre os candidatos é o que se busca resguardar nesta representação". Em decisão anterior, o ministro estabeleceu que as medidas não alcançam opiniões de usuários nas redes e valem igualmente para Lula e Flávio.
A regra que embasa a cobrança é a Resolução 23.755/2026 do TSE, publicada em março. Ela proíbe respostas automatizadas que expressem preferência eleitoral ou promovam favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral.
Leia também
Leite vota em Pelotas, não revela o voto e diz ter escolhido o "mal menor" no 2º turno

Flávio vence no RS com 57,84%, mas Porto Alegre dá 55,8% a Lula no 2º turno

Datafolha: 59% veem efeito positivo do fim da 6x1 na vida pessoal, ante 68% em março

Milei compartilha post que compara Lula a Maduro e acusa fraude sem provas no 2º turno

Mais lidas
1Ações no TSE que pedem cassação de Lula e Flávio seguem após o 2º turno; sem prazo2Dólar cai 0,90% e fecha a R$ 4,99; Ibovespa sobe 0,47% antes do 2º turno3Datafolha e Ipespe/Abrapel mostram 2º turno empatado a dois dias da eleição4TSE divulga resultados do 2º turno às 17h; TRE-RS prevê votos do RS contados até as 20h5Alcolumbre e Motta pedem reconhecimento do resultado das urnas em coletiva no TSE