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ClimaMundoAfeta o RS

Met Office e JMA veem El Niño recorde; NOAA ainda não declara e RS pode ter mais chuva

A NOAA dá 83% de chance de o trimestre de outubro a dezembro superar todos os El Niños desde 1950, mas a agência americana mede a intensidade de outro jeito.

Por que afeta o RS: El Niño intenso costuma trazer chuvas acima da média ao Sul do Brasil, com impacto em lavouras, cheias e enchentes no Rio Grande do Sul.

Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 3 min de leitura

Foto: Met Office e JMA veem El Niño recorde; NOAA ainda não declara e RS pode ter mais chuva
Foto: Jacques Descloitres, MODIS Land Rapid Response Team, NASA/GSFC / Wikimedia Commons (Public domain)

O El Niño em curso no Pacífico é o mais forte já observado para o Met Office, serviço meteorológico do Reino Unido, e para a JMA, agência do Japão. Os Estados Unidos ainda não falam em recorde. A divergência vem do método: cada agência compara o fenômeno com uma régua diferente.

Quadro: Met Office e JMA veem El Niño recorde; NOAA ainda não declara e RS pode ter mais chuva
Em números · Bairrista

Para o Rio Grande do Sul, o que pesa é a chuva. A previsão conjunta de Inmet, CPTEC/INPE e Funceme para outubro a dezembro de 2026 indica chuva acima da média na Região Sul, com desvios que podem chegar a 200 mm no RS e em Santa Catarina. O risco principal é para lavouras, infraestrutura e nível dos rios. O El Niño aumenta a chance desses efeitos, mas não os garante.

Por que as agências divergem

O Met Office se baseia nas temperaturas observadas no Pacífico equatorial central. O serviço britânico descreveu o evento como sem precedentes e o mais forte da série observacional. O professor Adam Scaife, chefe de previsão de longo prazo do órgão, afirmou que isso ocorreu com várias semanas de antecedência do pico, esperado para o fim do ano. A JMA chegou à mesma conclusão para a região Niño 3, em dados que começam em 1949.

A NOAA, agência oceânica e atmosférica dos EUA, usa o Índice Oceânico Niño Relativo, o RONI. Ele compara a temperatura da região Niño 3.4 com a do restante dos oceanos tropicais, o que dá mais informação num clima em aquecimento. Como todo o oceano está mais quente, a régua relativa produz números menores do que a medição bruta.

O que a NOAA diz até agora

O Centro de Previsão Climática (CPC) da NOAA mantém o Alerta de El Niño. Para a agência, um RONI de +2,5 °C ou mais, em média por três meses, colocaria o episódio acima dos principais eventos da série, iniciada em 1950. O maior valor da série do CPC é +2,40 °C. Por isso os americanos dizem que o episódio ainda não alcançou os maiores da sua história.

A chance de o episódio superar os eventos mais fortes da série é alta, mas não certa. Não há data marcada para uma declaração de recorde. O CPC atualiza o diagnóstico uma vez por mês, na segunda quinta-feira.

A climatologista Emily Becker, da Universidade de Miami, disse à AFP: "Em qualquer caso, estamos diante de um El Niño muito intenso". Segundo ela, só com o fim do evento os cientistas saberão onde ele se situa na história.

O que muda no clima

O fenômeno desloca o ponto onde o oceano libera calor para a atmosfera. Esse efeito se espalha pelo mundo e deixa algumas regiões mais frias e úmidas e outras mais quentes e secas. Os cientistas chamam esses efeitos de teleconexões. O Met Office lembra que o El Niño pode influenciar chuva, temperatura e trajetória de tempestades, com reflexo na agricultura, nos recursos hídricos e na demanda de energia.

No Sul do Brasil, a previsão aponta para mais chuva, não para seca. Os efeitos típicos do El Niño ficam mais prováveis, mas não são garantidos.

Os boletins de Inmet e CPTEC/INPE seguem como referência para acompanhar a chuva no RS.

Perguntas frequentes

O El Niño atual é o mais forte já registrado?

Depende da agência: o Met Office e a JMA dizem que sim, mas a NOAA ainda não declara recorde, pois usa o índice RONI.

Quanto de chuva a mais pode vir ao RS?

A previsão conjunta de Inmet, CPTEC/INPE e Funceme indica desvios que podem chegar a 200 mm no RS e em Santa Catarina entre outubro e dezembro.

Quando a NOAA deve atualizar o diagnóstico?

O CPC atualiza o diagnóstico uma vez por mês, na segunda quinta-feira, e não há data marcada para declaração de recorde.

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