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Estudo mostra que vida marinha profunda do Golfo do México caiu 60% após vazamento

Peixes, crustáceos e lulas seguem em níveis baixos 16 anos depois da explosão da plataforma Deepwater Horizon, da BP, segundo pesquisa publicada na PNAS.

Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 2 min de leitura

Embarcação com barreira de contenção no mar do Golfo do México, durante a resposta ao vazamento associado à explosão da plataforma Deepwater Horizon.
Foto: Unknown authorUnknown author / Wikimedia Commons (Public domain)

O número de animais marinhos em uma faixa profunda do Golfo do México caiu cerca de 60% nos anos seguintes à explosão da plataforma Deepwater Horizon, operada pela BP em 2010. O estudo saiu na segunda (19) na revista científica PNAS. Os pesquisadores dizem que as populações não se recuperaram.

O trabalho trata do Golfo do México. Não mede nem conclui nada sobre a Bacia de Pelotas, no litoral gaúcho, nem sobre a margem equatorial brasileira. Serve de referência sobre quanto tempo um ecossistema marinho profundo pode levar para se refazer depois de um grande vazamento.

Peixes, crustáceos e lulas caíram em 60% ou mais

Na zona estudada, o número de peixes caiu 63,5% entre o ano seguinte ao vazamento e 2015. Crustáceos, entre eles camarões e krill, recuaram 62%. Lulas e polvos, 59,7%. O krill caiu quase 73%.

A faixa analisada é a chamada zona crepuscular do oceano, entre a superfície iluminada e as profundezas escuras. Golfinhos e baleias se alimentam dos animais que vivem ali. A amostragem foi feita da superfície até 1.500 metros de profundidade, com redes em diferentes níveis e sonar acústico.

Mais de 2 mil amostras de rede, de 2011 a 2023

O estudo combina mais de 2 mil amostras de rede coletadas entre 2011 e 2023, levantamentos acústicos e análises genéticas de três espécies de peixes-lanterna. A equipe é liderada por Tracey Sutton, oceanógrafo biológico da Nova Southeastern University, e inclui pesquisadores da Universidade Internacional da Flórida (FIU).

As coletas seguiram depois de 2015 e as populações continuaram baixas. Houve uma alta leve em 2022 e 2023, sem significância estatística nem continuidade.

O que explica a queda

Sutton afirmou que a equipe não consegue provar um vínculo causal direto com o vazamento. Os pesquisadores testaram variáveis naturais, como temperatura, oxigênio e alimento, e nenhuma acompanhou a queda. A explosão foi o único evento que coincidiu com ela, e por isso é apontada como causa mais provável.

A equipe também registrou perda de diversidade genética nas espécies, efeito associado à endogamia. Segundo Sutton, poluentes ficaram armazenados nos ovos dos sobreviventes, e as gerações seguintes nasceram mais fracas.

A explosão matou 11 trabalhadores, e o óleo e o gás vazaram por quase cinco meses.

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