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Funai aciona PF por ameaças a Guarani Kaiowá no MS; Apib registra mais de 30 casos

Relatos incluem incêndio em casa de reza em Tacuru, áudio sobre envenenar água das aldeias e morte de uma família em Naviraí.

Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 2 min de leitura

Arte: Lideranças indígenas Guarani Kaiowá reunidas em área rural de Mato Grosso do Sul, com casas de madeira e lona ao fundo
Arte: Bairrista

A Funai e o Ministério dos Povos Indígenas acionaram a Polícia Federal para apurar denúncias de violência e ameaças contra comunidades Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul. O acionamento ocorreu na quinta-feira (29), após o resultado das eleições. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) afirma que já contabilizou mais de 30 casos de violência contra povos indígenas relacionados ao processo eleitoral deste ano no estado.

O caso é nacional, mas ajuda a medir o clima pós-eleitoral no país. Os Guarani Kaiowá vivem em Mato Grosso do Sul, no Paraguai e no nordeste da Argentina, e as denúncias estão concentradas no sul do estado.

O que a Funai e a Apib relatam

A Funai classificou os relatos como "extremamente preocupantes" e citou ameaças à vida, à segurança e à integridade física, além de discriminação e incitação ao ódio. Em vídeo divulgado nesta sexta-feira (30), Voninho Guarani Kaiowá, um dos coordenadores da Apib, disse que os ataques e as ameaças se intensificaram nos últimos dias.

Entre os episódios relatados estão o incêndio da casa de uma rezadeira de 90 anos e a ameaça de contaminação da água de uma aldeia. O fogo também destruiu instrumentos sagrados usados em rituais tradicionais do povo Kaiowá e Guarani. A casa fica em Tacuru, segundo a Revista Fórum, e os relatos incluem ameaças de envenenamento da água e ataques racistas.

MPF cobra explicações de município

O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul informou que abriu procedimentos, com base nas denúncias encaminhadas pela Apib, para apurar a veracidade das acusações e garantir a proteção dos territórios. O MPF também deu prazo de 48 horas para que o município esclareça as ameaças e informe as providências adotadas. A autoria e as circunstâncias de cada episódio ainda estão sendo investigadas.

O governo federal anunciou uma força-tarefa interministerial. Ministros devem visitar aldeias em Coronel Sapucaia e Tacuru neste sábado (31) para conversar com as comunidades.

Saber mais: fontes consultadas (3)

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