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Mãe registra BO após voz de homem aparecer em walkie-talkie de brinquedo em Porto Alegre

Caso da menina de 4 anos está sob análise da 12ª DP; professor da Unilasalle explica que rádios de faixa do cidadão não garantem privacidade.

Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 2 min de leitura

Dois walkie-talkies infantis roxos e rosa, da linha Huntrix, semelhantes aos que estão no centro do caso.
Foto: Divulgação/Rc

Uma mãe de Porto Alegre registrou boletim de ocorrência depois de ouvir uma voz masculina no walkie-talkie de brinquedo da filha, de 4 anos. O caso aconteceu na noite de quinta-feira (15), e o registro foi feito online. A delegada Luciana Smith, da 12ª Delegacia de Polícia Civil, avalia a denúncia e o caso pode ser encaminhado à Divisão Especial da Criança e do Adolescente (Deca).

Radiocomunicadores simples, como esse brinquedo, não oferecem privacidade: qualquer aparelho na mesma frequência e ao alcance pode entrar na conversa.

O que a mãe relata

Segundo a mãe, que não é identificada para preservar a menina, o brinquedo repousava sobre a mesa, desligado, e começou a emitir sons sozinho. Os dois radinhos estavam lado a lado, e não havia um terceiro.

Ela diz que pegou o aparelho e passou a ouvir a voz de um homem adulto. Em seguida, a voz teria se identificado como "o lobo cinzento" e dito que ele "vai pegar o teu filho". A conversa foi gravada em vídeo.

A filha ficou assustada e passou a demonstrar medo, de acordo com a mãe. A família também suspeita que a voz tenha conseguido ouvir conversas dentro de casa. O vídeo foi publicado nas redes na sexta (16) e passou de 19 milhões de visualizações até esta terça (20).

Brinquedo não tem privacidade, explica professor

O professor de Engenharia e Computação da Universidade La Salle (Unilasalle) Artur Severo avalia que o aparelho provavelmente usa sistema analógico. Nesse tipo de equipamento, afirmou, basta que alguém esteja na mesma frequência para se comunicar. Aparelhos profissionais têm códigos e grupos de conversa; os básicos, em geral, não.

Os radiocomunicadores não profissionais operam em faixas não licenciadas, as chamadas "faixas do cidadão", que qualquer pessoa pode usar. Controles de portão e equipamentos de wi-fi estão na mesma categoria. A explicação de Severo é técnica e geral, e não uma perícia do brinquedo nem da gravação.

O alcance depende de clima, potência do transmissor e sensibilidade do receptor. O modelo é o Walkie Talkie Guerreiras do K-Pop, comercializado pela Candide Brinquedos, e o manual informa alcance de até 500 metros.

Severo recomenda que esses aparelhos não sejam usados em conversas privadas. Segundo o professor, privacidade só existe em sistemas de comunicação profissionais.

Fabricante ainda não respondeu

A Candide Brinquedos, fabricante do modelo, não enviou posicionamento. A mãe afirma que o brinquedo estava desligado quando começou a emitir sons.

O Núcleo de Prevenção à Violência Extrema, do Ministério Público do RS, apontou que um codinome com lobo pode ser referência a um predador.

O caso segue em análise na 12ª DP, que ainda decide se o encaminha à Deca.

Perguntas frequentes

Quem registrou o boletim de ocorrência?

A mãe da menina de 4 anos, que registrou o BO online após ouvir a voz masculina no walkie-talkie.

Em qual delegacia o caso está sendo analisado?

Na 12ª Delegacia de Polícia Civil, que avalia a denúncia e pode encaminhar o caso à Deca.

Walkie-talkies de brinquedo têm privacidade?

Não. Segundo o professor da Unilasalle Artur Severo, qualquer aparelho na mesma frequência e ao alcance pode entrar na conversa.

Qual o alcance do brinquedo?

O manual do modelo Walkie Talkie Guerreiras do K-Pop informa alcance de até 500 metros.

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