Macron prevê novo sábado de risco na França e manda atos para fora dos centros urbanos
Em Marselha, presidente admitiu que o Estado não previu a dimensão dos protestos de 17 de outubro e culpou as redes sociais por levar pessoas aos saques.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

O presidente francês, Emmanuel Macron, avaliou nesta segunda (26), em Marselha, que o próximo sábado (31) será "encore un samedi à risque", ou seja, mais um sábado de risco. Ele anunciou que os trajetos das manifestações no sábado ficarão fora dos centros urbanos, para proteger o comércio e manter a calma.

A decisão vale para os atos declarados às autoridades. Segundo Macron, os percursos declarados "se feront hors des centres-villes" (ficarão fora dos centros urbanos), como ocorreu no fim de semana anterior em Paris. Macron afirmou que o estado de emergência não é necessário por enquanto.
Governo admite falha em 17 de outubro
A visita aconteceu nove dias depois das violências em Marselha e em outras cidades, nos protestos contra a vida cara de 17 e 18 de outubro, com muitos saques e depredações. Dezenas de manifestantes forçaram a porta da prefeitura de Marselha e entraram rapidamente no saguão. Centenas de lojas foram saqueadas ou danificadas. O prefeito, Benoît Payan, estima os prejuízos em 28 milhões de euros.
Macron reconheceu falha na preparação. Disse que as autoridades "não anteciparam de forma alguma" aquele dia e que o efetivo policial não estava dimensionado para ele. Ele estava acompanhado do ministro do Interior, Laurent Nuñez, e de Payan.
O presidente contrapôs o 24 de outubro ao dia 17. Para ele, a ordem foi mantida e o direito de manifestar, preservado. Macron disse que cerca de 80 comércios foram afetados nos atos do fim de semana, mais calmos do que o esperado.
Redes sociais na mira
Macron responsabilizou as redes sociais pelo ocorrido. Afirmou que elas "abîment nos démocraties" (prejudicam nossas democracias) e são "instrumentos de mobilização do pior", por criarem uma forma de desrealização da violência.
Segundo ele, as redes foram usadas, em especial no dia 17, para levar pessoas a locais de delinquência, ataques e saques. A afirmação é do presidente. O governo não apresentou, na declaração, dados que a sustentem.
Macron também fez uma crítica política. Disse não ser normal que, a seis meses de uma eleição presidencial, o país esteja nesse estado de ebulição.
Próximas datas
Além do sábado (31), há novo ato anunciado para quinta-feira, 5 de novembro. O presidente também disse que pretende apoiar comerciantes e prefeituras atingidos pelos danos. Os trajetos definitivos de cada cidade para o dia 31 dependem das autoridades locais.
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