Lula quer manter o arcabouço fiscal; Flávio propõe nova regra de gastos e menos impostos
Economistas ouvidos pela Agência Brasil dizem que um corte de cerca de R$ 200 bilhões, discutido na campanha, chegaria à área social; a campanha de Flávio diz que mira privilégios do funcionalismo.
Redação Bairrista · 16 de outubro de 2026 às 09:03 · 2 min de leitura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao segundo turno, no domingo (25), com planos opostos para as contas públicas. Lula quer manter o modelo atual, apoiado em investimento público, programas sociais e valorização da renda. Flávio defende reduzir a estrutura estatal, cortar despesas e baixar impostos e encargos.
Para quem vive no RS, a diferença aparece no bolso e no emprego: imposto, salário mínimo, jornada de trabalho e benefícios sociais mudam conforme o vencedor. As duas campanhas reconhecem a necessidade de enfrentar o crescimento da dívida pública. O contraste está nos instrumentos.
Lula mantém o arcabouço; Flávio cria nova regra fiscal
Lula pretende manter o arcabouço fiscal, controlar o crescimento das despesas e buscar resultados fiscais melhores com crescimento econômico. Na equipe do petista, o discurso é de que um ajuste será necessário num eventual quarto mandato. Esse ajuste seria gradual, ao longo dos quatro anos.
Flávio propõe criar uma nova regra fiscal, com limites para despesas associados à trajetória da dívida. Entre as medidas estão reduzir ministérios, cargos comissionados e despesas administrativas.
Lula quer taxar mais as rendas altas; Flávio promete cortar impostos
Na área tributária, Lula quer aprofundar a tributação progressiva, com maior contribuição proporcional das rendas mais altas. Flávio propõe reduções tributárias e simplificação regulatória.
No trabalho, o petista quer manter a valorização real do salário mínimo e reduzir a jornada semanal para 40 horas, sem corte salarial. Flávio defende modalidades de contratação com menor custo para empregadores em determinados grupos etários.
Nos programas sociais, Lula promete manter o Bolsa Família e expandir políticas habitacionais e de combate à fome. Ele também quer ampliar infraestrutura, reindustrialização, inovação e energia renovável.
Para o campo, Flávio prevê melhorias na logística, mais capacidade de armazenamento de safras, seguro rural e estímulo à produção nacional de fertilizantes.
Economistas dizem que corte de R$ 200 bilhões atinge a área social
A discussão sobre o tamanho do ajuste de Flávio ganhou força nos últimos dias. Depois de defender um "tesouraço" inspirado no governo de Javier Milei, presidente da Argentina, o candidato diz que não pretende reduzir programas e benefícios sociais. A campanha afirma que os cortes se limitariam a supostos privilégios do funcionalismo, como supersalários.
O economista Pedro Paulo Zahluth Bastos, do Instituto de Economia da Unicamp, discorda da viabilidade dessa conta. Segundo ele, cerca de 90% do gasto primário federal é obrigatório, e as despesas discricionárias somam pouco mais de R$ 200 bilhões. "Um corte de R$ 200 bilhões que preserve os benefícios sociais zera o resto. Se não zera, entra nos benefícios", afirmou. Bastos estima que os supersalários e despesas semelhantes somam alguns bilhões, não centenas de bilhões.
A professora Maria Lourdes Mollo, da Universidade de Brasília (UnB), diz que o gasto público tem efeito multiplicador na renda e no emprego. Segundo ela, esse efeito seria perdido com um corte amplo.
Serviço
- Segundo turno: domingo (25), em todo o país.
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