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BrasilPolíticaAfeta o RS

Lula faz ato no Rio e fecha na Paulista; Flávio vai a BH e ao Rio; votação é domingo

Campanha do PL põe benefícios sociais no rádio e na TV; Quaest dá 45% a 44% para Flávio, e a RealTime Big Data mostra Lula com 54% a 39% entre quem ganha até dois salários mínimos.

Por que afeta o RS: Os programas federais citados e o resultado da eleição presidencial valem para o eleitorado e os beneficiários gaúchos.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 13 min de leitura

Atualizada 24/10, 10:39 · O TSE alterou 444 locais de votação em 22 estados para o segundo turno, o que atinge mais de 130 mil eleitores, e quem vota domingo precisa conferir o endereço antes de sair.

Ilustração: televisão estilizada e um rádio antigo com a luz acesa lado a lado, em composição simbólica
Ilustração: Bairrista

Lula e Flávio Bolsonaro (PL) encerram a campanha do segundo turno com atos em capitais, um dia depois do último debate, realizado na sexta (23) pela Globo. Neste sábado (24), Lula faz ato no Rio de Janeiro e encerra a campanha na Avenida Paulista, em São Paulo. Flávio tem compromissos em Belo Horizonte e no Rio. A votação é no domingo (25), das 8h às 17h, e mais de 158,7 milhões de eleitores devem ir às urnas.

São Paulo, Minas Gerais e Rio estão entre os maiores colégios eleitorais do país, e Flávio venceu Lula nos três estados no primeiro turno, segundo o R7.

Para quem vive no Rio Grande do Sul, a disputa tem efeito direto. Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Farmácia Popular são programas federais, e quem vencer no domingo define as regras e os valores que chegam às famílias gaúchas. O RS não está entre os cinco estados que têm segundo turno para governador, ao lado do Distrito Federal, então o eleitor gaúcho vota só para presidente.

Antes de sair de casa, vale conferir o local de votação: o TSE alterou 444 locais em 22 estados para o segundo turno, e a mudança atinge mais de 130 mil eleitores. A consulta ao endereço atualizado é feita no TSE.

Na reta final, a campanha do senador concentrou esforços nos eleitores de menor renda. Ampliou o espaço dos programas sociais na propaganda e promete manter o Bolsa Família.

444 locais de votação mudaram em 22 estados

O levantamento do TSE, divulgado na véspera da votação, aponta 444 locais de votação alterados em 22 estados. As mudanças alcançam pouco mais de 130 mil eleitores, segundo o UOL.

A alteração pode mudar o trajeto até a urna e o tempo de deslocamento de quem vota. O eleitor gaúcho deve confirmar o endereço no TSE antes de domingo, já que a lista de estados com mudanças inclui 22 unidades da federação.

Último debate trocou acusações e propostas

O confronto da sexta (23) tratou de economia, saúde, segurança e programas sociais. Os dois candidatos apresentaram propostas e trocaram acusações ao longo dos blocos, segundo A Tribuna e o UOL.

Flávio anunciou o refinanciamento de dívidas das Santas Casas e investimentos em equipamentos para conservar rins antes de transplantes. As duas propostas não constavam em detalhe no plano de governo, segundo O Globo. Lula voltou a defender reajustes do salário mínimo acima da inflação e a renegociação de dívidas pelo Desenrola 3.0.

As medidas tocam saúde, renda e crédito, áreas em que as regras federais chegam ao bolso e aos hospitais do RS.

Antes do encontro, as duas campanhas haviam ajustado a estratégia, segundo o G1. Flávio foi orientado a reduzir o tom confrontador. Lula recebeu a recomendação de evitar provocações e improvisos.

Propaganda rebate ataques do PT

A campanha aumentou o espaço dos programas sociais nos comerciais de rádio e TV. O objetivo é rebater ataques do PT que associam o candidato a cortes no Bolsa Família. O compromisso exibido na propaganda prevê a continuidade do benefício, com novos reajustes nos pagamentos.

A coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, defendeu uma regra de transição de dois anos. Famílias cadastradas poderiam entrar no mercado formal sem perder o auxílio de imediato. Segundo O Globo, a mensagem da campanha inclui ainda o Minha Casa, Minha Vida e a Farmácia Popular.

Na terça (20), Flávio reuniu influenciadores digitais aliados em São Paulo e cumpriu agenda com artistas sertanejos em Goiânia. O cantor Gusttavo Lima, que já declarava apoio ao candidato, pediu compromisso com a continuidade do Bolsa Família. Flávio respondeu que pretende manter os benefícios.

Horário eleitoral de quinta põe economia no centro

No penúltimo dia de propaganda no rádio e na TV, na quinta (22), os dois candidatos trataram de economia. Lula criticou a proposta de corte de R$ 250 bilhões no orçamento atribuída a Flávio. O senador falou de preços de alimentos, redução de impostos e poder de compra.

Os temas conversam com o eleitor gaúcho, que sente o preço da comida no mercado e depende de verbas federais para programas e serviços no estado.

Datafolha crava empate de 50% a 50%

A pesquisa Datafolha divulgada na quinta (22) aponta empate de 50% a 50% nos votos válidos entre Lula e Flávio, a três dias da votação. A disputa chegou aberta ao último dia de campanha, e o resultado de domingo (25) define a Presidência e decisões de governo e de economia que também alcançam o RS, segundo o Valor.

No primeiro turno, Flávio teve 47,03% dos votos válidos, e Lula, 45,16%, diferença de 1,87 ponto.

O que as outras pesquisas mostram

A Quaest divulgada na quarta (21) traz Flávio com 45% e Lula com 44% no cenário estimulado do segundo turno. A diferença de um ponto está dentro da margem de erro, o que configura empate técnico. Brancos e nulos somam 9%, e indecisos, 2%. Na pesquisa espontânea, os dois aparecem com 40%.

A rejeição a Lula caiu de 53% para 47% em uma semana, seis pontos a menos. A de Flávio foi de 54% para 52%. O PT comemora o resultado, e o PL chegou a discutir o endurecimento do tom de Flávio, segundo o R7.

Entre os beneficiários do Bolsa Família, a Quaest aponta que o índice de indecisos subiu de 7% para 19%. O avanço ocorre em meio a acenos do governo Lula ao segmento, e o valor reajustado do benefício começou a ser pago na segunda (19).

A RealTime Big Data entrevistou 2 mil eleitores em todo o país, de 15 a 19 de outubro. Entre quem ganha até dois salários mínimos, 54% preferem o presidente Lula (PT) e 39%, Flávio. O senador lidera na faixa de dois a cinco salários, por 51% a 41%. No total de votos válidos, a pesquisa dá 52% a Flávio e 48% a Lula.

Promessas pesam nas contas de 2027, com dívida em 82,9% do PIB

A dívida pública está próxima de R$ 11,1 trilhões, o equivalente a 82,9% do PIB, segundo reportagem do G1 publicada neste sábado (24). Economistas questionam como financiar as promessas de Lula e de Flávio nesse quadro. A equipe de Flávio afirma que pretende cortar gastos equivalentes a 1,5% do PIB, mas o candidato também promete reduzir impostos e preservar benefícios.

Um levantamento citado pelo G1 estima em mais de R$ 283 bilhões o impacto fiscal e financeiro das promessas de campanha de Lula. Só o aumento do Bolsa Família poderia custar R$ 23,2 bilhões no primeiro ano, segundo consultoria citada na reportagem.

Do lado de Flávio, o jornal O Globo destaca a promessa de retomar o Perse, programa de incentivo ao setor de eventos encerrado no início de 2025. Segundo estimativa da Receita Federal citada pelo jornal, o Perse custou R$ 60 bilhões em quatro anos.

As projeções para o Orçamento de 2027 divergem. A proposta enviada ao Congresso prevê superávit primário de R$ 73,2 bilhões. A equipe econômica projeta superávit de R$ 18,6 bilhões, e a Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado, estima déficit de R$ 86,1 bilhões.

O tamanho das promessas, a dívida elevada e a distância entre as projeções podem pesar sobre gastos, juros e a economia do próximo governo, o que alcança também o RS por meio de crédito, transferências e serviços federais.

Dólar fecha abaixo de R$ 5; Bolsa recua 0,88% desde o primeiro turno

O dólar à vista tocou a máxima de R$ 5,0557 na sexta (23), com os investidores cautelosos por causa da eleição, da alta do petróleo e dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Ao fim do último pregão antes do segundo turno, a moeda caiu 0,92% e encerrou a R$ 4,9931, abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde 9 de outubro. Na semana, o dólar acumulou baixa de 1,58%.

O Ibovespa subiu 0,47% na sexta, aos 205.082,56 pontos, mas terminou a semana com recuo de 0,17%. Os investidores ajustaram posições antes da eleição.

Desde o primeiro turno, o quadro é de pouca variação. O Ibovespa avançou 7,7% na segunda seguinte à votação, mas acumulou queda de 0,88% até o fechamento de sexta, segundo O Globo. No mesmo intervalo, o dólar ficou praticamente estável, com desvalorização de 0,16%, a R$ 4,99. Analistas ouvidos pelo jornal atribuem a cautela à indefinição eleitoral e à falta de detalhes sobre as propostas econômicas dos candidatos.

O IPCA-15 de outubro, divulgado pelo IBGE no mesmo dia, subiu 0,32%. O resultado ficou abaixo dos 0,43% esperados pelo mercado e da alta de 0,70% de setembro. Em 12 meses, a inflação chegou a 4,62%, acima do teto de 4,5% da meta.

A cotação repercute nos preços de produtos e insumos comprados por empresas e consumidores gaúchos. Câmbio e bolsa também mexem com combustíveis, importados, crédito e investimentos, segundo o G1. A inflação, por sua vez, pesa no custo de vida e nas decisões do Banco Central sobre juros, o que chega ao crédito e aos preços no RS.

TSE tira 20 postagens do ar, convoca cinco plataformas e soma 804 ações

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou na quarta (21) a retirada de 20 postagens contra o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A ordem proíbe Flávio e os deputados Mário Frias, Gustavo Gayer e Gilvan da Federal de publicar o conteúdo de novo ou impulsioná-lo.

A decisão aponta uso irregular de inteligência artificial, acusações sem fundamento e retratos de violência. Nunes Marques não concluiu que houve ação coordenada e afirmou que o caso ainda exige investigação. A ordem vale em todo o país, inclusive no RS, durante o segundo turno.

Na quinta (22), a três dias da votação, Nunes Marques deu 24 horas para a Meta entregar um relatório técnico sobre o canal de WhatsApp "Exército do Lula". A decisão atende a pedido da campanha de Flávio e cobra informações sobre possível sincronização de contas, amplificação artificial, publicidade paga e circulação de conteúdo. A empresa também deve explicar os critérios que usa para diferenciar mobilização legítima de comportamento coordenado potencialmente irregular.

A cobrança se estendeu a outras plataformas. Google e X também deviam informar se identificaram amplificação coordenada de termos e hashtags entre 18 e 20 de outubro. Na sexta (23), às 11h, o TSE reuniu representantes de X, Meta, Google, TikTok e Kwai para tratar da atuação das redes no segundo turno.

Depois do encontro, o tribunal afirmou que não determinou a retirada de nenhum canal do WhatsApp. Segundo a Corte, pedidos de informação com prazo curto não equivalem a ordem de remoção. O TSE pediu que as plataformas atuem de forma isonômica para cumprir o plano de conformidade eleitoral. As orientações sobre propaganda digital valem em todo o país, inclusive no RS.

A Meta também é cobrada de fora do país. Congressistas dos Estados Unidos enviaram carta à empresa pedindo explicações sobre sua atuação na eleição brasileira. O texto cita a desativação de uma conta de anúncios da campanha de Lula em setembro e restrições a publicações patrocinadas no Instagram em outubro. Os parlamentares também questionam as recomendações algorítmicas e diferenças relatadas no uso da inteligência artificial da Meta em conteúdos políticos.

Os congressistas pediram uma reunião técnica na sexta (23) e fixaram 4 de novembro como prazo para a resposta por escrito. As regras de anúncios e de distribuição de conteúdo da plataforma valem para campanhas e usuários de todo o Brasil, inclusive do RS.

O tribunal já recebeu ao menos 804 ações relacionadas à eleição presidencial, até a noite de quarta (21), segundo levantamento do G1. São mais do que as 325 de 2022 e as 388 de 2018. Entre elas, 12 ações de investigação judicial eleitoral foram admitidas pelo corregedor Ricardo Villas Bôas. Esse tipo de processo apura abuso de poder e, em certos casos, pode levar a cassação ou inelegibilidade.

PF mantém equipes mobilizadas no país durante o segundo turno

A Polícia Federal (PF) informou que manterá equipes mobilizadas em todo o país durante o segundo turno para prevenir e investigar crimes eleitorais. Até quarta (21), a PF somava 1.538 inquéritos instaurados, 2.429 em andamento e 89 operações, segundo o Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil.

A mobilização inclui o RS e busca proteger a segurança e a regularidade da votação. A PF não informou quantos casos ou equipes cabem a cada estado.

Justiça manda União garantir voto de indígenas em 24 horas

Uma juíza da 5ª Vara Federal Cível no Pará determinou na quinta (22) que a União adote, em 24 horas, medidas para viabilizar a participação de eleitores indígenas no segundo turno de domingo (25). A decisão vale para todo o país, inclusive para as comunidades indígenas do RS.

A ordem prevê transporte gratuito, alimentação, apoio logístico às prefeituras, intérpretes e sinalização em línguas indígenas nos locais de votação. O descumprimento injustificado pode gerar multa de R$ 1 milhão por dia, segundo o Valor.

Cármen Lúcia nega ônibus de graça entre estados; DPU pede gratuidade e frota completa

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou na sexta (23) o pedido da campanha de Lula para estender a gratuidade do transporte público às viagens interestaduais no segundo turno. Ela afirmou que a questão cabe ao TSE e que faltavam dados para decidir tão perto da votação de domingo (25). A regra vigente segue restrita ao transporte urbano municipal e intermunicipal.

Para o eleitor gaúcho que precisa cruzar a divisa de estado para votar, a decisão significa que não há gratuidade nessa viagem. A tarifa zero nos deslocamentos urbanos e intermunicipais não muda.

Antes, a Defensoria Pública da União (DPU) havia pedido ao STF uma liminar para garantir transporte público municipal e intermunicipal gratuito no domingo. O pedido também quer impedir cortes de frota e de viagens e prevê o uso de veículos públicos onde não houver transporte regular. Ele vale para todo o país, inclusive para o RS.

A DPU baseia o pedido em uma consulta a 3.518 municípios. Desses, 78 informaram que não ofereceram gratuidade no primeiro turno ou operaram com frequência inferior à dos dias úteis, segundo O Povo.

Comícios e impulsionamento pago acabaram na quinta

O prazo para comícios e outras atividades de campanha terminou na quinta (22). Na mesma data, acabou o período para impulsionar propaganda eleitoral paga na internet, segundo a Agência Brasil.

A legislação também restringe, até 24 horas após o fim da votação, novos conteúdos eleitorais feitos ou alterados por inteligência artificial que usem imagem ou voz de candidatos ou de pessoas públicas. A regra vale para o eleitor gaúcho como para qualquer outro: quem compartilha o material também fica sujeito às normas da Justiça Eleitoral.

Serviço: votação e agendas de sábado

Votação: domingo (25), das 8h às 17h, no horário de Brasília, o mesmo do RS. O eleitor gaúcho vota apenas para presidente.

Local de votação: o TSE alterou 444 locais em 22 estados. Confira o endereço atualizado no TSE antes de sair de casa.

Agendas de sábado (24): Lula faz ato no Rio de Janeiro e encerra a campanha na Avenida Paulista, em São Paulo. Flávio cumpre compromissos em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.

Atualização: entrou a mudança de 444 locais de votação em 22 estados, que atinge mais de 130 mil eleitores, com a orientação para o eleitor conferir o endereço atualizado no TSE antes de domingo.

Perguntas frequentes

Quando é a votação do segundo turno para presidente?

Domingo (25), das 8h às 17h, no horário de Brasília, o mesmo do RS.

O eleitor gaúcho vota para governador no segundo turno?

Não. O RS não tem segundo turno para governador; o eleitor gaúcho vota apenas para presidente.

Como saber o local de votação atualizado?

O TSE alterou 444 locais em 22 estados; a consulta ao endereço atualizado é feita no site do TSE antes de sair de casa.

Quanto deu a pesquisa Quaest no segundo turno?

Flávio aparece com 45% e Lula com 44%, empate técnico dentro da margem de erro.

Saber mais: fontes consultadas (53)

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

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