Suprema Corte dos EUA nega pedido de Trump sobre 20 mil votos da Califórnia
Decisão sem assinatura saiu horas antes da eleição de meio de mandato; o resultado no Congresso pode pesar sobre as tarifas que atingem exportadores gaúchos.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

A Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou nesta segunda (2) o pedido do governo Donald Trump para obrigar a Califórnia a separar cédulas de cerca de 20 mil eleitores que o Departamento de Justiça diz serem prováveis não cidadãos. O tribunal negou o pedido em uma ordem de uma linha, sem assinatura. Com isso, esses votos seguem no fluxo normal de contagem. Os americanos votam nesta terça (3) para renovar a Câmara e parte do Senado.
Para o leitor gaúcho, a decisão não muda quem vai governar o Congresso. O que está em jogo na urna é outra coisa: a força que o Legislativo americano terá para pressionar a Casa Branca sobre as tarifas que atingem produtos brasileiros, entre eles os do RS.

O que a Corte decidiu
A Suprema Corte negou o pedido do Departamento de Justiça. O tribunal não detalhou os motivos, como é comum em decisões de urgência. O caso foi levado à juíza Elena Kagan, que cuida dos pedidos emergenciais da Califórnia, e ela o encaminhou ao plenário.
A rejeição veio depois de derrotas nas instâncias inferiores. Um painel do 9º Tribunal de Apelações decidiu contra o governo por 2 votos a 1. Antes disso, um juiz federal de Los Angeles também havia rejeitado o pedido. Segundo o Axios, os juízes vêm rejeitando a tese do governo por entenderem que as listas têm erros de fato e podem excluir eleitores aptos.
O governo Trump afirma que cerca de 20 mil não cidadãos podem estar registrados na Califórnia, o que autoridades locais contestam. Nas ações anteriores, todas as partes concordaram que as cédulas não poderiam ser separadas depois de processadas, e centenas de milhares de votos já tinham sido devolvidos no estado.
O que isso tem a ver com as tarifas
O Congresso renovado em 3 de novembro inclui as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 do Senado. Uma maioria diferente da atual pode mudar a capacidade do Congresso de fiscalizar e pressionar a política comercial de Trump. Isso não revoga tarifa alguma de forma automática. Uma resolução do Congresso contra as cobranças poderia ser vetada pelo presidente, e a derrubada do veto exige dois terços dos votos nas duas Casas.
A análise do portal TNH1, de 2 de novembro, informa que as tarifas adotadas em julho sobre produtos brasileiros podem chegar a 37,5% em determinados itens, somando 25% e 12,5%. O texto afirma que uma vitória democrata aumentaria a pressão política, mas não garantiria a retirada das cobranças. O alcance varia conforme o produto. Em fevereiro, segundo a mesma análise, a Suprema Corte já havia decidido por 6 votos a 3 que a lei de emergência econômica usada por Trump (IEEPA) não autorizava as tarifas baseadas nela. A decisão não alcançou cobranças amparadas em outras leis comerciais.
Exportações do RS já sentem o peso
Levantamento publicado pela GZH em 27 de outubro, com dados atribuídos ao MDIC e à ApexBrasil, aponta que 1.052 empresas gaúchas foram atingidas pelo tarifaço. As exportações do RS aos EUA caíram 29,1%, para US$ 1,4 bilhão, uma perda de US$ 546,5 milhões, cerca de R$ 2,8 bilhões.
Por produto, o tabaco recuou 50%, para US$ 124,7 milhões. Os calçados caíram 16,5%, para US$ 113,5 milhões. A madeira baixou 48,8%, para US$ 57,6 milhões, e os móveis, 51,3%, para US$ 19,6 milhões. Armas e munições tiveram queda de 63,2%, para US$ 58,4 milhões. Já óleos e gorduras animais subiram 8,7%, para US$ 38,9 milhões.
Serviço
A votação nos Estados Unidos acontece nesta terça (3), e a apuração define o controle da Câmara e do Senado. O Bairrista atualiza esta matéria assim que houver projeção oficial do resultado.
Perguntas frequentes
A decisão muda quem controla o Congresso americano?
Não. A decisão trata apenas das cédulas; o resultado do Congresso depende da votação de 3 de novembro.
Quantos votos estão em disputa na Califórnia?
Cerca de 20 mil cédulas de eleitores que o Departamento de Justiça diz serem prováveis não cidadãos.
Quanto as exportações gaúchas aos EUA já caíram?
29,1%, para US$ 1,4 bilhão, uma perda de US$ 546,5 milhões, segundo levantamento da GZH com dados do MDIC e da ApexBrasil.
Uma vitória democrata acaba com as tarifas?
Não automaticamente. Uma resolução contra as cobranças poderia ser vetada pelo presidente, e a derrubada do veto exige dois terços nas duas Casas.
Saber mais: fontes consultadas (9)
- Axios, SCOTUS rejects Trump's bid over disputed California ballots
- CBS News, Supreme Court rejects Trump's effort to force California to separate mail ballots
- The Hill, Supreme Court rejects Trump administration's bid to set aside 20,000 California ballots
- The Hill, Trump administration appeals to Supreme Court over 20,000 California ballots
- AP via U.S. News, Supreme Court Rejects Trump Administration Push to Set Aside Thousands of California Ballots
- NBC News, Supreme Court quickly rejects Trump effort to target alleged noncitizen voters in California
- Forbes, Supreme Court Turns Down Trump Administration's Request in California Ballot Dispute
- GZH, O tarifaço dos EUA atingiu 1.052 empresas do Rio Grande do Sul
- TNH1, Eleições nos EUA podem mudar planos de Trump e mexer com dólar e juros no Brasil
Do interior do RS
Caxias do Sul: morre aos 76 anos o advogado Zulmar Neves, ex-vice da CIC

IPE Saúde isenta coparticipação em consulta com urologista para quem tem 50 anos ou mais

São Borja e Fronteira Oeste têm risco de temporal a partir da tarde desta terça (3)

Grêmio de Renato tem média de 44.304 torcedores na Arena, alta de 69,26%
