Lula é reeleito e primeiro teste com os EUA é a reação de Trump ao resultado
Em resposta a democratas do Congresso americano, o Departamento de Estado defendeu eleição livre e justa no Brasil, mas não prometeu reconhecer o vencedor.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25), com 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% de Flávio Bolsonaro (PL), com 98,27% das seções apuradas. O governo de Donald Trump não havia reconhecido publicamente o resultado até a apuração desta matéria.
A reação de Washington vai dar o tom do segundo mandato numa relação já pressionada. O quarto mandato do petista será marcado por poucos aliados na vizinhança e por pressões dos EUA sobre comércio, soberania e minerais estratégicos. São temas que mexem com exportadores e com a política externa do país.
Departamento de Estado não se comprometeu
Em 15 de outubro, o Departamento de Estado respondeu a uma carta de 24 de setembro do senador Bernie Sanders e de 30 deputados democratas, e afirmou o direito dos brasileiros a eleições livres e justas. Os parlamentares haviam perguntado se o governo americano reconheceria o resultado certificado das eleições de 2026.
Na resposta, o órgão não prometeu reconhecer o resultado certificado do segundo turno. Disse que os EUA seguiriam trabalhando com o "governo eleito" em segurança, comércio e investimento.
Os senadores democratas Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch fizeram pergunta semelhante ao secretário de Estado, Marco Rubio, em carta datada de segunda-feira, 28 de setembro.
Trump, por sua vez, nunca declarou apoio formal a nenhum candidato. Depois do primeiro turno, disse que Flávio teve uma vitória "apertada, mas impressionante". No domingo do segundo turno, afirmou que os EUA estavam "observando" a eleição.
O que Lula disse sobre interferência
Na Assembleia Geral da ONU, em 22 de setembro, Lula afirmou que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém" e alertou contra a interferência estrangeira na eleição, segundo a Reuters. Na campanha, declarou que o país estava preparado para enfrentar uma eventual tentativa de intervenção americana na eleição.
Ao responder às pressões dos EUA, o presidente defendeu a soberania nacional e a independência do Judiciário. Manteve a disposição para negociar, mas disse que o Brasil não aceitaria interferência em assuntos internos.
O que dizem os analistas
Antes do segundo turno, o professor Oliver Stuenkel, da Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo, disse à Reuters que um reconhecimento tardio por Trump seria um cenário a manter no radar. Para ele, uma recusa em reconhecer rapidamente a vitória de Lula representaria um ponto baixo nas relações bilaterais.
Michael Shifter, ex-presidente do Inter-American Dialogue, avaliou que o silêncio relativo de Trump na disputa dificultava o uso do tema da intervenção estrangeira e da soberania por Lula. Já pesquisas e analistas indicam que as medidas americanas podem ter beneficiado mais o presidente do que o opositor.
Lula toma posse em 1º de janeiro de 2027, quando começa o novo mandato.
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