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Lula é reeleito com 51,79%; Valdemar reconhece vitória, mas Flávio segue sem reconhecer

Flávio pedirá ao TSE a cassação da chapa de Lula; Dino manda a PF apurar interferência estrangeira, e a Argentina diz que o senador seguiu para o Equador.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 11 min de leitura

Atualizada 28/10, 05:55 · A Argentina informou que Flávio Bolsonaro, a esposa e as duas filhas entraram no país por Misiones na noite de terça (27) e seguiram em voo particular para Guayaquil, no Equador, contradizendo aliados que diziam que ele já estava nos EUA.

Foto: TSE contabiliza 138 ocorrências no 2º turno; no RS, SSP chega a 42 até as 17h
Foto: Divulgação/SER Caxias

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, confirmou neste domingo (25) a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno de 2026. Lula teve 64.256.232 votos, ou 51,79% dos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. Derrotado, Flávio contestou a prorrogação do horário de votação e anunciou que pedirá a anulação do pleito. Ministros do STF e do TSE avaliam, segundo O Globo, que o pedido não deve prosperar. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu a vitória de Lula nesta segunda (26), mas pediu esclarecimentos sobre a votação estendida.

O resultado define o comando do governo federal a partir de 5 de janeiro, quando começa o novo mandato, e as políticas do período valem também para o Rio Grande do Sul, onde Flávio venceu. O pedido de anulação envolve a validade da eleição em todo o país, inclusive no RS. No estado, a Secretaria da Segurança Pública (SSP-RS) contabilizou 42 ocorrências eleitorais entre a manhã de sábado (24) e as 17h deste domingo. Às 13h, o total gaúcho era de 22. Os números do RS e o nacional vêm de órgãos diferentes.

Ministros avaliam que pedido de Flávio não deve prosperar

Flávio Bolsonaro contestou a extensão do horário de votação e afirmou que pedirá a anulação do segundo turno. A prorrogação foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo relatos, o motivo foram transtornos no transporte de eleitores.

Reportagem de O Globo publicada nesta segunda (26) traz a avaliação de ministros do STF e do TSE: os problemas operacionais causados pela extensão do horário não comprometem o resultado, e por isso o pedido não deve prosperar. O TSE já havia informado que a extensão exigiu adaptações nos sistemas e nas rotinas de apuração.

A disputa sobre a validade da eleição pode afetar a transição para o próximo mandato. Ela vale para eleitores e instituições de todo o país, inclusive do RS.

Presidente do PL reconhece vitória de Lula, mas pede esclarecimentos

Valdemar Costa Neto, presidente do PL, reconheceu nesta segunda (26) a vitória de Lula, segundo o UOL. Ele pediu esclarecimentos sobre a votação estendida e questionou os efeitos de medidas de gasto social adotadas às vésperas do pleito, como a antecipação de pagamentos do Bolsa Família e ações ligadas a combustíveis. Flávio Bolsonaro, segundo a publicação, ainda não havia reconhecido o resultado.

A posição do maior partido de oposição pode pesar na contestação política do resultado nos próximos dias. O PL terá as maiores bancadas na Câmara e no Senado, e é nesse Congresso que passam as leis, os repasses e os investimentos federais que chegam ao RS.

Alckmin rebate Trump, que insinua fraude sem apresentar provas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou o segundo turno brasileiro nesta segunda (26). Disse que a eleição "parece" fraudada, embora tenha afirmado gostar de Lula, segundo a agência ANSA. A declaração veio depois da vitória do petista e da contestação de Flávio, que alega irregularidade na extensão do horário de votação.

Trump não apresentou indícios de fraude, segundo o g1. O vice-presidente Geraldo Alckmin rejeitou a declaração. Presidentes de vários países das Américas reconheceram a vitória de Lula. O argentino Javier Milei não havia se manifestado até segunda (26).

A fala de um presidente estrangeiro sobre a legitimidade da eleição pode pesar na relação diplomática entre Brasil e EUA. Essa relação envolve comércio e setores produtivos de todo o país, inclusive do RS.

Dino manda PF investigar suspeita de interferência estrangeira

O ministro do STF Flávio Dino determinou nesta terça (27) que a Polícia Federal abra investigação sobre possível interferência estrangeira nas eleições presidenciais de 2026. A decisão foi tomada na ADPF 1.178, e o procedimento ficará sob supervisão do Supremo.

A apuração deve examinar três frentes: suspeitas de financiamento externo à campanha de Flávio Bolsonaro, publicidade eleitoral paga por estrangeiros e manipulação de algoritmos em redes sociais. São suspeitas a investigar, não conclusões.

O inquérito trata da eleição em todo o país, inclusive do RS, onde Flávio venceu. Ele pode ter efeito sobre a responsabilização por financiamento político irregular e sobre a segurança do processo eleitoral.

Violação do sigilo do voto lidera no país

Em entrevista coletiva em Brasília, Nunes Marques informou que o segundo turno tinha 138 ocorrências até o início da tarde. Ele considerou o número baixo. O balanço é parcial.

No país, as ocorrências incluem 40 tentativas de violação do sigilo do voto, 19 casos de propaganda irregular, 16 de boca de urna e três de compra de votos.

No RS, a SSP-RS registrou, até as 17h, oito casos de outros crimes eleitorais, cinco de desobediência a ordens da Justiça Eleitoral e cinco de boca de urna. Houve ainda quatro de propaganda irregular e quatro de violação ou tentativa de violação do sigilo do voto, em Barão, Garibaldi, Porto Alegre e Santo Antônio da Patrulha. A lista do boletim inclui também um caso de violência ou grave ameaça para obter voto, em Erechim, e um de porte ilegal de arma de fogo em local de votação, em Caxias do Sul.

País troca 900 urnas e não tem votação em papel

Das 499.248 urnas eletrônicas usadas no país, 900 precisaram ser substituídas, o equivalente a 0,18%. Segundo Nunes Marques, até o início da tarde não havia registro de votação por cédula de papel em nenhuma seção.

Prorrogação até as 19h parou a totalização por quase duas horas

O TSE começou a divulgar a totalização do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro às 17h. Às 17h06, a divulgação foi suspensa depois que Zanin prorrogou o horário de votação por duas horas, até as 19h. A decisão vale em todo o país, inclusive no RS.

Até a interrupção, 1.225 urnas haviam sido totalizadas, cerca de 0,25% das seções. Os votos já registrados não foram cancelados. A totalização foi retomada às 19h, informou a Agência Brasil.

Dados do TSE levantados pelo g1 indicam que 35.521 votos foram registrados depois das 17h. A diferença final entre Lula e Flávio é de cerca de 4,4 milhões de votos, ou seja, cerca de 125 vezes o total de votos dados após o horário regular. É esse recorte que ministros usam para sustentar que a extensão não altera o resultado.

Ao anunciar o resultado, Nunes Marques afirmou que a extensão do horário exigiu adaptações nos sistemas e nas rotinas de apuração. Segundo ele, milhares de urnas já encerradas não puderam ser reabertas.

Lula vence com 51,79% dos votos válidos

Com 64.256.232 votos, Lula foi reeleito para um quarto mandato. Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, diferença de cerca de 4,4 milhões. Na apuração parcial, com mais de 98,2% das urnas, Lula tinha 51,75%; com 100% das seções totalizadas, o percentual final é 51,79%, contra 48,21% de Flávio.

Lula melhora o saldo em 97% dos municípios e abstenção cai a 19,21%

Dados do TSE citados pelo g1 mostram que Lula melhorou seu saldo de votos sobre Flávio em 5.410 dos 5.570 municípios brasileiros, cerca de 97% do total. O comparecimento subiu em 4.858 cidades, aproximadamente 87%.

A abstenção caiu de 21,08% no primeiro turno para 19,21% no segundo, a menor taxa em 20 anos.

Flávio vence no RS e nos outros dois estados do Sul

Com as urnas apuradas, Lula venceu em 13 estados: os nove do Nordeste, mais Amazonas, Amapá, Pará e Minas Gerais. Flávio Bolsonaro ficou à frente em outros 13 estados e no Distrito Federal, entre eles Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

O Nordeste deu a Lula uma vantagem regional de cerca de 13,7 milhões de votos, segundo a Bloomberg Línea. O RS, portanto, terá no Palácio do Planalto um presidente que não venceu no estado, o que pesa na negociação por obras, recursos e programas federais.

Lula põe segurança, educação e saúde como prioridades e defende regular big techs

No primeiro discurso após a reeleição, no domingo (25), Lula citou segurança, educação e saúde como prioridades do novo mandato, segundo o g1. Ele defendeu a regulação das grandes plataformas digitais e disse que buscará diálogo com o Congresso.

Na segurança, Lula voltou a defender a aprovação da PEC da segurança e afirmou que o governo federal terá participação maior no combate ao crime. As propostas são nacionais e podem resultar em políticas e recursos também para o RS.

Dólar vai a R$ 5,60, B3 interrompe negócios e Ibovespa chega a cair 17%

O dólar comercial chegou a R$ 5,60 nesta segunda (26), alta de 12,2% na sessão. A B3 interrompeu as negociações depois de o Ibovespa cair mais de 10%. Quando os negócios foram retomados, o índice chegou a recuar 17%. O Tesouro Nacional cancelou leilões de títulos e fez recompra de títulos prefixados.

Antes da abertura, um ETF ligado a ações do Brasil já havia caído até 16% em Tóquio, a maior queda intradiária desde 2020, segundo O Globo. Analistas apontam que a trajetória dos ativos depende de sinais do governo eleito sobre política econômica e ajuste fiscal.

A alta do dólar pode encarecer combustíveis, insumos e produtos importados também no RS. Bolsa e câmbio influenciam ainda o crédito, os investimentos e a confiança na economia, o que chega a empresas, investidores e consumidores gaúchos no custo do financiamento e nas decisões de investimento.

Desemprego está no menor nível da série e famílias gastam 28,7% da renda com dívidas

Balanço econômico do G1 publicado nesta segunda (26) aponta três anos seguidos de crescimento do país e desemprego no menor nível da série histórica durante o terceiro mandato de Lula. A renda real avançou e o emprego formal se expandiu.

O endividamento segue alto. Em julho de 2026, as famílias destinavam 28,7% da renda mensal ao pagamento de dívidas, segundo o Banco Central. Os números são nacionais e valem como pano de fundo para o orçamento de trabalhadores e famílias gaúchas, que dependem de emprego, renda e crédito.

PL terá as maiores bancadas, e Congresso é o mais conservador desde a redemocratização

Lula começa o quarto mandato em 5 de janeiro diante de um Congresso com maioria de direita, o mais conservador desde a redemocratização, segundo a Reuters. O PL terá as maiores bancadas na Câmara e no Senado, segundo análise publicada nesta segunda (26). A composição pode dificultar a aprovação de propostas do governo, inclusive medidas fiscais e compromissos anunciados na campanha.

A Reuters cita previsão de crescimento de 2,3% da economia no próximo ano e dívida pública acima de 82% do PIB. Juros altos e despesas obrigatórias limitam o espaço fiscal do governo. Leis, tributos, repasses e investimentos federais que chegam ao RS passam por esse Congresso.

O governo terá de manter programas sociais e, ao mesmo tempo, controlar as contas públicas e a dívida, segundo o Jornal do Commercio. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, defendeu combinar prioridades sociais com responsabilidade fiscal.

Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, telefonaram a Lula nesta segunda (26) para parabenizá-lo pela reeleição. Segundo a CBN, os dois disseram que o Congresso está aberto a debater propostas do governo e defenderam a pacificação do país. Motta citou crescimento econômico, segurança pública e proteção social como temas de interesse nacional. O que Câmara e Senado aprovarem nessas áreas vale também para o RS.

A equipe econômica também terá de acomodar no Orçamento de 2027 despesas estimadas em ao menos R$ 20 bilhões, segundo O Globo.

Análise do mesmo jornal destaca a Selic em 13,75% ao ano e o peso dos juros e das despesas sobre a política econômica. Segundo o texto, a expansão de benefícios aumenta os gastos, enquanto mudanças no setor de apostas podem reduzir receitas. Segurança, aprendizagem escolar, vacinação e metas ambientais completam a lista de desafios do governo reeleito. Juros altos encarecem o crédito para empresas e famílias do RS, e as escolhas em saúde, educação e segurança valem para o estado.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o leilão de dívidas do Desenrola 3.0 está previsto para o fim de novembro ou o início de dezembro. Decisões federais sobre orçamento, programas sociais e crédito alcançam moradores e empresas do RS, e a capacidade do governo de aprovar medidas no Congresso pode afetar juros, investimentos e serviços.

Plano de governo tem 13 eixos, da isenção do IR ao Ministério da Segurança Pública

O plano de Lula para o quarto mandato está organizado em 13 eixos, segundo levantamento do R7 publicado nesta segunda (26). Entre as propostas econômicas estão manter a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês, valorizar o salário mínimo e ampliar o crédito a micro e pequenas empresas.

O programa também prevê reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais. Nas áreas sociais, o texto fala em fortalecer o SUS e ampliar o Minha Casa, Minha Vida. Na segurança, propõe criar um Ministério da Segurança Pública. Os eixos abrangem ainda educação, meio ambiente e política econômica.

Para trabalhadores, famílias e empresas gaúchas, as propostas mexem com renda, imposto, custo de folha de pagamento, atendimento de saúde e moradia. Nenhuma delas está em vigor: dependem de implementação e, em vários casos, de aprovação do Congresso ou de recursos no Orçamento.

Atualização: entrou a decisão do ministro do STF Flávio Dino, nesta terça (27), de mandar a Polícia Federal investigar suspeitas de interferência estrangeira na eleição, na ADPF 1.178. O inquérito ficará sob supervisão do Supremo e examinará financiamento externo à campanha de Flávio Bolsonaro, publicidade paga por estrangeiros e manipulação de algoritmos.

Saber mais: fontes consultadas (52)

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

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