Justiça Federal condena 13 por tráfico de cocaína com apreensões em Pelotas e Rio Grande
Penas vão de 5 a 54 anos de reclusão, e a sentença manda a União ficar com imóveis, aeronaves, veículos e cotas de empresas ligados ao grupo da Operação Hinterland.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 16:12 · 2 min de leitura

A 22ª Vara Federal de Porto Alegre condenou 13 pessoas por tráfico internacional de drogas, organização criminosa transnacional e associação para o tráfico. O Ministério Público Federal (MPF) divulgou a sentença na terça (13). As penas variam de 5 a 54 anos de reclusão, e a decisão foi tomada por um colegiado de juízes.

As provas ligam o grupo a 2,7 toneladas de cocaína guardadas em um entreposto logístico em Pelotas e a outra 1,1 tonelada escondida em uma carga de tanino no Porto de Rio Grande, segundo o MPF.
Mais de 14 toneladas em dois anos
Segundo o MPF, entre 2020 e 2022 o grupo movimentou mais de R$ 3 bilhões e traficou mais de 14 toneladas de cocaína . O período quantificado vai de novembro de 2020 a novembro de 2022. O valor de R$ 3 bilhões é uma estimativa apresentada pelo MPF.
A cocaína vinha de laboratórios na Bolívia e na Colômbia, era armazenada no Brasil e no Paraguai e seguia de navio para a Europa. Parte da droga ia no meio de cargas comerciais legítimas, para dificultar a fiscalização. O MPF afirma que o grupo tinha ligações com organizações criminosas da Albânia e de Montenegro, nos Bálcãs.
A investigação também apontou lavagem de dinheiro, com empresas legítimas e de fachada, contas de passagem, câmbio clandestino do tipo hawala e contratos falsos.
Além de Pelotas e Rio Grande, as provas relacionam os condenados a outras duas apreensões:
- 4,6 toneladas em um barco de pesca interceptado pela Marinha Francesa na costa da África;
- 1,7 tonelada enviada a Hamburgo, na Alemanha, apreendida em parte pela polícia alemã.
Denúncia de empresa de Montenegro (RS) abriu o caso
Segundo a Justiça Federal, o esquema foi descoberto após representantes de uma empresa de Montenegro (RS) denunciarem ao MPF um carregamento de cocaína enviado à Europa em meio a uma carga de extrato de mimosa exportada para a Alemanha . A Operação Hinterland, ocorrida em 2023 , mirou o uso dos portos brasileiros para despachar droga em cargas lícitas.
A apuração foi conduzida pelo Grupo de Enfrentamento ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF no RS, com apoio do Gaeco Nacional e atuação conjunta da Polícia Federal.
O que acontece com os bens e com os presos
Além das multas, o perdimento em favor da União atinge imóveis, aeronaves, veículos, participações em empresas e valores financeiros. A Justiça manteve a prisão preventiva dos condenados que cumprirão pena em regime fechado. Parte deles está no sistema penitenciário federal.
A sentença é de primeira instância, e os condenados ainda podem recorrer ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre.
Perguntas frequentes
Quantas pessoas foram condenadas pelo tráfico de cocaína em Pelotas e Rio Grande?
13 pessoas foram condenadas pela 22ª Vara Federal de Porto Alegre, com penas de 5 a 54 anos de reclusão.
Quais são as penas da condenação da Operação Hinterland?
As penas variam de 5 a 54 anos de reclusão, e a sentença determina perdimento de bens em favor da União.
A condenação é definitiva?
Não. A sentença é de primeira instância e os condenados podem recorrer ao TRF4, em Porto Alegre.
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