Justiça de SP nega a Willer Tomaz devolução de R$ 163 milhões perdidos na Blaze
Advogado investigado pela PF e sócio de jato usado por Flávio Bolsonaro apostou R$ 6,6 bilhões em 18 meses e acumulou prejuízo de R$ 188,5 milhões, segundo dados da defesa.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 17:00 · 2 min de leitura

A Justiça de São Paulo negou nesta sexta (16) o pedido do advogado Willer Tomaz para recuperar R$ 163 milhões que ele diz ter perdido em apostas na plataforma Blaze. A ação corre na 44ª Vara Cível da capital paulista. Na ação, ele alegou vício em jogos de azar e falhas no funcionamento do site.
Tomaz é investigado pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que apura descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. A PF também apura, em frente separada, suposta lavagem de dinheiro por meio de apostas. Em 18 meses, de janeiro de 2025 a julho de 2026, ele apostou R$ 6,6 bilhões e teve prejuízo de R$ 188,5 milhões. Os valores constam de dados que a defesa apresentou no processo contra a Blaze.
O que o juiz decidiu
A decisão é do juiz Guilherme Madeira Dezem. Ele concluiu que Tomaz não era um apostador passivo. Segundo a sentença, o advogado "solicitou pessoalmente e obteve a criação de mesas privativas e exclusivas de apostas em valores exorbitantes" . Ele também pediu aumentos sucessivos de limite até chegar a R$ 500 mil por aposta.
O juiz entendeu que as perdas são consequência dos riscos assumidos pelo próprio jogador, o que afasta a responsabilidade da plataforma. Dezem negou a devolução, mas determinou que Tomaz não seja mais importunado pela plataforma.
Os números do processo
Os R$ 6,6 bilhões somam apostas feitas e refeitas com o mesmo dinheiro, e não equivalem ao que o advogado depositou. Segundo a defesa, entre janeiro de 2025 e julho de 2026 foram 2.145 depósitos, num total de R$ 325 milhões. Os R$ 163 milh o comprovante anual emitido pela plataforma e anexado ao processo aponta R$ 4,8 bilhões em ganhos, cerca de R$ 4,96 bilhões em perdas e prejuízo de R$ 163,2 milhões.
Investigação da PF segue aberta
Em relatório que embasou a operação de 4 de agosto, a PF apontou Tomaz como "verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico" de investigados.
O pedido de reparação foi feito três dias antes de ele ser alvo da operação.
Sobre a suspeita de lavagem, a abertura da apuração não significa que o crime tenha sido comprovado.
Tomaz rejeita a suspeita e afirma que as movimentações são identificáveis e ocorreram em conta de sua titularidade.
A ligação com o jato de Flávio Bolsonaro
Tomaz esteve com o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e a família em um voo dos Estados Unidos a Brasília em janeiro de 2025, e figurava entre os cotistas do Legacy 650 usado na viagem.
Outra participação na aeronave estava ligada à Prime You, empresa que tinha entre os sócios Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Tomaz diz que era cliente da empresa e desconhecia a presença do banqueiro.
Não foi divulgado se a defesa vai recorrer da decisão da 44ª Vara Cível.
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