Irã e Catar negociam em Doha, e Teerã não aceita plano de sete dias
Khamenei mandou as Forças Armadas se prepararem para responder a qualquer ataque, enquanto diplomatas tentam evitar nova onda de combates depois das eleições nos EUA.
Por que afeta o RS: Alta do petróleo internacional pode pressionar preços de combustíveis e custos no Rio Grande do Sul.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

Negociadores iranianos e mediadores do Catar conversaram em Doha no sábado (31) para buscar uma saída para a guerra no Golfo, segundo uma fonte ouvida pela Reuters. O encontro veio depois de mais de 12 horas de discussões em Teerã, na sexta-feira (30). A fonte, que pediu anonimato, disse que as conversas são coordenadas em contatos regulares com Washington.
Para o Rio Grande do Sul, o ponto de atenção é o petróleo. Uma retomada dos combates numa região que concentra rotas de exportação costuma pressionar o preço internacional do barril e, depois, combustíveis e fretes. Esse é um risco, não um efeito já medido: até agora não há estimativa de impacto nos preços no estado nem anúncio da Petrobras sobre reajuste ligado a esse episódio.
Plano de sete dias não agradou a Teerã
Os catarianos levaram a Teerã, uma semana antes, a proposta de um plano de sete dias, em que EUA e Irã dariam passos diários de construção de confiança antes de negociações mais amplas. Um alto funcionário iraniano disse à Reuters na sexta-feira que Teerã não considerou a proposta satisfatória.
O Irã tem plano próprio. Ele pede que Washington levante o bloqueio aos portos iranianos, descongele ativos e aprove uma rota apoiada pelo Irã no Estreito de Ormuz, e só então a passagem seria reaberta. Não houve comunicado oficial do Catar nem do Irã sobre o resultado formal da reunião em Doha.
Khamenei manda Forças Armadas se prepararem
O líder supremo, Mojtaba Khamenei, ordenou que as Forças Armadas estejam prontas para responder a qualquer ataque. Em mensagem no Telegram, ele disse que ameaças de qualquer nível ou tipo exigem resposta imediata, de impacto e sem restrição geográfica. Os militares iranianos anunciaram depois que tomam medidas para elevar a prontidão.
A reportagem da Reuters não aponta um ataque novo que tenha motivado a ordem. O cenário é de ameaça: países da região esperam que o presidente Donald Trump, que segurou ataques ao Irã nas semanas antes da eleição de terça-feira, possa retomá-los depois da votação. O Irã diz que responderia atingindo alvos dos EUA e de Israel em países vizinhos.
O que dizem os EUA
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou no sábado que Trump ainda não decidiu se lançará novos ataques ao Irã, mas prefere resolver o conflito pela via diplomática. Rubio também disse que as conversas nunca pararam.
A eleição legislativa americana acontece na terça-feira (3).
Perguntas frequentes
O que o Irã exige para reabrir a passagem no Estreito de Ormuz?
Teerã pede que Washington levante o bloqueio aos portos iranianos, descongele ativos e aprove uma rota apoiada pelo Irã no estreito; só depois a passagem seria reaberta.
Como a guerra no Golfo pode afetar o preço do combustível no RS?
A região concentra rotas de exportação de petróleo, e uma retomada dos combates pode pressionar o barril e, depois, combustíveis e fretes; esse é um risco, sem estimativa de impacto no estado nem anúncio da Petrobras até agora.
Quando o presidente Trump pode retomar ataques ao Irã?
Segundo o secretário Marco Rubio, Trump ainda não decidiu; países da região temem uma retomada depois da eleição legislativa americana de terça-feira (3).
Qual foi a ordem do líder supremo iraniano?
Mojtaba Khamenei ordenou que as Forças Armadas estejam prontas para responder a qualquer ataque, com resposta imediata, de impacto e sem restrição geográfica.
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