Índia tira 130 milhões de nomes dos cadastros eleitorais; oposição vai à Suprema Corte
A Comissão Eleitoral diz que limpou registros de mortos e duplicados, enquanto a oposição acusa a revisão de atingir sobretudo eleitores muçulmanos.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

A revisão dos cadastros eleitorais da Índia, chamada Special Intensive Revision (SIR), retirou mais de 130 milhões de nomes das listas. Entre eles estão 28 milhões de mortos, 63 milhões que mudaram de endereço e 30 30 milhões que não foram localizados. As três parcelas somam 121 milhões, abaixo do total anunciado. A oposição reagiu com marchas em Nova Délhi e com uma ação na Suprema Corte.

A revisão mexe com o direito de voto no país mais populoso do mundo. Os eleitores excluídos precisam pedir a reinclusão para voltar às listas.
Marcha e petição na Suprema Corte
Na segunda (12), milhares de manifestantes da oposição marcharam até a Suprema Corte e entregaram uma petição contra a revisão. A petição tem entre os signatários o líder da oposição, Rahul Gandhi. O texto pede auditoria das exclusões, garantias contra retiradas sem aviso, direito a audiência e suspensão provisória da revisão em todo o país.
Partidos de oposição e apoiadores do movimento juvenil "Cockroach" também exigem a renúncia do comissário-chefe eleitoral, Gyanesh Kumar. Os opositores afirmam que muçulmanos e outras minorias, pouco inclinados a apoiar o partido nacionalista hindu no poder, são atingidos de forma desproporcional. A Comissão Eleitoral e o BJP, partido do primeiro-ministro Narendra Modi, rejeitam a acusação.
Na quinta (15), o tribunal, em turma formada pelo chefe de Justiça Surya Kant e pelo juiz Joymalya Bagchi, mandou notificar a Comissão Eleitoral e seus integrantes, incluindo Kumar. O processo tramita como "Rahul Gandhi contra a Comissão Eleitoral da Índia". A Suprema Corte não decidiu, até agora, sobre a suspensão da revisão.
O que diz a Comissão e como recorrer
A Comissão afirma que o objetivo é retirar registros de mortos, duplicados, transferidos e pessoas não localizadas. O órgão nega favorecer qualquer partido.
Segundo a Comissão, os excluídos por engano podem apresentar pedido, documentos e recurso antes da finalização das listas. O órgão também mandou refazer a verificação em alguns estados, entre eles Délhi. Alguns eleitores relatam que foram orientados a se inscrever como novos eleitores, em vez de ter o registro antigo restabelecido.
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