Ibovespa cai 13,88% no 1º pregão após reeleição de Lula; dólar sobe 8,21%, a R$ 5,40
Foi a maior queda da Bolsa desde março de 2020 e a maior alta diária do dólar desde 1999; na terça, o câmbio devolveu parte do salto.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O Ibovespa, principal índice da B3, fechou em queda de 13,88% nesta segunda (26), primeiro pregão depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O índice recuou aos 176.608,23 pontos, e o dólar comercial fechou em alta de 8,21%, a R$ 5,403. A queda de 13,88% aconteceu em um único dia, não ao longo de um período.
Para quem vive no RS, o efeito mais direto é no câmbio, que mexe com o custo de insumos importados e com a receita de quem exporta. Dólar mais alto encarece fertilizantes e eletrônicos importados. Também aumenta, em reais, a receita de quem vende para o exterior, caso do produtor gaúcho. Nesta terça (27), o câmbio já recuou.
Pior dia desde a pandemia
O tombo foi o maior desde março de 2020. A queda acionou pela manhã o circuit breaker, mecanismo da B3 que suspende os negócios por alguns minutos em quedas bruscas. A mínima do dia foi de 169.516,43 pontos, e o dólar chegou a R$ 5,605 pela manhã. O volume financeiro somou R$ 88,6 bilhões na segunda.
O mercado apostava na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) e em uma agenda econômica mais favorável ao ajuste fiscal, e o resultado contrariou essa expectativa. Segundo a Reuters, a Bolsa perdeu R$ 734 bilhões na sessão, quase o valor de mercado da Petrobras.
Terça teve ajuste no câmbio, mas a Bolsa seguiu em queda
Nesta terça (27), o Ibovespa fechou em queda de 0,51%, aos 175.710,05 pontos. O dólar recuou 0,97%, a R$ 5,3506, devolvendo parte da disparada da véspera. Na sessão, a moeda oscilou entre R$ 5,3078 e R$ 5,4126. Segundo o Times Brasil, operações de exportadores ajudaram na descida da moeda.
O que os analistas apontam
O responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, avalia que parte da queda de segunda pode ser explicada pelo desmonte acelerado de posições, e não por uma deterioração equivalente dos fundamentos econômicos. Ele afirmou, em comentário a clientes, que a preocupação estrutural permanece e que o principal desafio do novo mandato será recuperar a credibilidade fiscal.
Felipe Corleta, sócio da Brasil Wealth, disse ao Times Brasil que o mercado ainda tenta encontrar um novo nível de equilíbrio após a forte reação.
O que o mercado espera agora
Os investidores esperam sinais sobre o ajuste fiscal e a equipe econômica. O ministro da Fazenda do próximo governo ainda não foi definido. A escolha é apontada por analistas como decisiva para a estabilização dos preços.
Saber mais
- ESBrasil – Dólar e Ibovespa: alta de 8,21% e queda de 13,88%
- Times Brasil (CNBC) – Ibovespa ensaia recuperação após reeleição de Lula
- InfoMoney (Reuters) – Ibovespa segue fragilizado e com atenção a fiscal após tombo
- Traders Union – Ibovespa amplia perdas após eleição e dólar recua
- Mixvale – Ibovespa cai 0,51% no segundo pregão após reeleição de Lula na B3
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