Hungria prende suspeito na Áustria e ouve 11 em caso de respiradores da era Orbán
Fisco húngaro apreendeu ou bloqueou 1,5 bilhão de forints e emitiu mandado internacional contra um dos apontados como líderes da rede, que estaria na Indonésia.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

A Administração Nacional de Impostos e Alfândegas da Hungria (NAV) fez buscas na terça-feira (27) em vários pontos do país e na Áustria. A operação apura fraude orçamentária, lavagem de dinheiro e outros crimes na compra de respiradores e máscaras durante a pandemia, em 2020, no governo de Viktor Orbán.
Um homem foi preso na Áustria com base em mandado europeu de detenção. Na Hungria, 11 pessoas foram ouvidas como suspeitas, e duas delas ficaram detidas. Contra um dos chefes da rede, que a NAV acredita estar na Indonésia, foi emitido mandado internacional de prisão. Os suspeitos não tiveram os nomes divulgados pela autoridade.
Contratos de 2020 somam 15,6 bilhões de forints
Os contratos em foco foram fechados com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Comércio e o Centro Estatal de Abastecimento de Saúde. Segundo a NAV, a Hungria comprou na China 800 respiradores e 3 milhões de máscaras, pagando 15,6 bilhões de forints.
A NAV afirma que o grupo montou uma rede de empresas sem atividade real e emitiu notas fiscais fictícias para reduzir indevidamente o IVA. A autoridade estima que mais de 3 bilhões de forints em lucros foram lavados e que o Tesouro perdeu 660 milhões de forints em impostos. Na operação, cerca de 1,5 bilhão de forints em bens foi apreendido ou bloqueado.
Compra maior está sob denúncia
A compra ampla de 2020 somou quase 17 mil respiradores, por cerca de 300 bilhões de forints (aproximadamente US$ 910 milhões). Em 25 de agosto, o ministério encaminhou ao Ministério Público uma denúncia sobre essa aquisição. Os dados divulgados pela NAV na terça tratam apenas dos contratos de 800 respiradores e 3 milhões de máscaras.
Compras emergenciais de saúde feitas na pandemia continuam sendo fiscalizadas anos depois, com busca de bens e cooperação entre países, como mostra o caso húngaro.
A NAV não informou quando os suspeitos devem ser formalmente acusados na Justiça. A investigação segue aberta.
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