Hotel Estoril admite atrasos de salário e FGTS e diz que venda do imóvel está travada
Sindicato levará o caso ao Ministério Público do Trabalho; advogado diz que 70% dos salários foram pagos e prevê quitar o resto até o fim de outubro.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O Hotel Estoril, no Centro de Pelotas, reconheceu atrasos nos salários e nos depósitos do FGTS dos funcionários. A admissão foi feita em reunião com o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Turismo e Hospitalidade de Pelotas (Sintraturhpel), nesta quarta-feira (21). O sindicato vai levar o caso ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

O advogado do Estoril, Pedro Manta, afirmou que cerca de 70% dos salários já foram pagos e que a expectativa é quitar o restante até o final de outubro. O hotel não informou o valor total em atraso nem quantos funcionários são afetados.
Caixa apertado e penhora de faturamento
Manta atribuiu a situação a problemas de fluxo de caixa, ações judiciais, bloqueios de contas e penhora de faturamento. Segundo ele, a dificuldade atinge também os fornecedores. "Está com dificuldade para honrar compromissos não só com os empregados, que obviamente são os mais importantes, mas também com fornecedores", disse.
Venda do imóvel depende de questão societária
O advogado contou que já houve uma tentativa de venda do hotel, mas a negociação não avançou por entraves jurídicos na estrutura societária da família proprietária. Manta garantiu que existe um comprador interessado, cujo nome não foi divulgado. A transferência do imóvel está impedida por questões ligadas a uma cisão feita há cerca de 14 anos.
Manta disse ter expectativa de negócio. "Bons ventos podem surgir. Está com valor bem abaixo do mercado e existe uma expectativa", afirmou.
Sindicato vê falta de diálogo
A presidente do Sintraturhpel, Simone Goulart, disse que o assunto deve ser discutido no MPT. "Não teve conversa. Não houve avanço no diálogo", afirmou.
Ex-funcionária contesta rescisão
Uma ex-funcionária, que não teve o nome divulgado, contou que saiu do emprego porque os atrasos passaram a comprometer suas contas. Ela precisava pagar aluguel e arcar com despesas causadas pelos danos da chuva em sua casa.
Ao buscar a rescisão, ela afirma que recebeu apenas R$ 300 do salário pendente. Diz também que descobriu não haver depósitos de FGTS em seu nome, contesta os valores do acerto e sustenta que parte do salário continua devida. Segundo ela, chegou a cumprir jornadas de 24 horas para cobrir as férias de um colega, com parte das horas registrada no ponto e parte "por fora".
O próximo passo é a ida do sindicato ao MPT. O prazo dado pelo hotel para quitar os salários pendentes termina no fim de outubro.
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