Grupo de 380 empresários propõe a Lula e Flávio Selic de 7,5% e inflação de 3% em 2027
Carta do Grupo Parlatório condiciona a queda dos juros a superávit primário de 1% do PIB; o mercado projeta Selic de 12% no fim do próximo ano.
Por que afeta o RS: Juros e inflação afetam crédito, consumo e investimentos de famílias e empresas gaúchas.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O Grupo Parlatório enviou nesta quinta (22) uma carta aos candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O texto propõe levar a Selic a 7,5% ao ano e a inflação a 3% em dezembro de 2027, por meio de ajuste fiscal. O grupo reúne 380 empresários, executivos e representantes da sociedade civil. O trabalho foi coordenado pelo economista Roberto Giannetti da Fonseca.

Para quem vive no Rio Grande do Sul, o ponto central é o custo do dinheiro. Juros menores barateiam o crédito de famílias e o financiamento de empresas gaúchas, e inflação mais baixa preserva o poder de compra. A carta, porém, é uma proposta de um grupo privado e não uma decisão do governo.
O que a carta pede
Segundo a Folha de S.Paulo, a meta de juros depende de um ajuste fiscal com superávit primário de, no mínimo, 1% do PIB em 2027.. A carta também fixa um teto para a dívida bruta: abaixo de 70% do PIB até 2030. Defende ainda a revisão de despesas obrigatórias e a atualização da Lei de Responsabilidade Fiscal.
O documento vai além da economia. Propõe mudar a escolha dos ministros do STF, acelerar a reforma tributária e adotar postura firme na defesa comercial.
Entre os colaboradores, estão o presidente da Febraban, Isaac Sidney, o ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates, o empresário Roberto Klabin, a especialista em segurança Ilona Szabó e a educadora Viviane Senna. Giannetti é presidente da Kaduna Consultoria, e o Parlatório reúne lideranças que representam cerca de 40% do PIB brasileiro, segundo o Estadão.
Mercado e Banco Central veem juros bem acima
A distância entre a proposta e as projeções atuais é grande. No Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda (19), a projeção do IPCA para 2027 passou de 4,30% para 4,32%, 1,32 ponto percentual acima dos 3% da carta. Para a Selic, a mediana segue em 12% em 2027, 4,5 pontos percentuais acima dos 7,5% sugeridos.
Hoje, a Selic está em 13,75% ao ano, e o mercado prevê 13,25% em dezembro de 2026. No início de agosto, o próprio Banco Central estimou o IPCA de 2027 em 3,8%.
Reação dos candidatos
Giannetti disse à Folha que a campanha de Flávio ainda não respondeu ao pedido de reunião. A carta não detalha quais despesas obrigatórias seriam revistas nem o efeito sobre programas sociais e repasses a estados.
O próximo Boletim Focus sai na segunda (26) e mostra se o mercado muda as projeções de juros e inflação para 2027.
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