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Agro
EconomiaBrasilAfeta o RS

BB libera R$ 31,6 bi ao agro na safra 2026/27, 44,1% menos; Pronamp cai 44,2%

Pronaf, da agricultura familiar, cresce 1,7%, e o banco liga a retração ao aumento da inadimplência e ao pré-custeio antecipado na safra passada.

Por que afeta o RS: Produtores e cadeias agropecuárias do RS dependem de crédito rural para custeio e investimentos, segundo o próprio alerta de pauta.

Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

Agência do Banco do Brasil em cidade do interior.
Foto: DAR7 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Banco do Brasil (BB) desembolsou R$ 31,633 bilhões em financiamentos ao agronegócio entre 1º de julho e segunda-feira (19), na safra 2026/27. O volume inclui crédito rural e financiamentos à cadeia de valor e fica 44,1% abaixo dos R$ 56,543 bilhões liberados no mesmo intervalo da safra passada.

Os números do banco são nacionais, sem recorte por estado. No RS, porém, o crédito já vinha encolhendo antes do início do plantio. Levantamento da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), com base em dados do Banco Central, mostra que a área financiada no estado caiu 29,3% em 12 meses até julho, acima da média nacional. O valor liberado aos gaúchos recuou 18,3%, para R$ 23,1 bilhões, e os contratos caíram 16,4%, para 189.655.

Pronaf cresce, Pronamp despenca

No Pronaf, da agricultura familiar, o BB registrou alta de 1,7%: R$ 8,444 bilhões até segunda (19), ante R$ 8,301 bilhões na safra anterior. No Pronamp, voltado ao médio produtor, as liberações chegaram a R$ 4,406 bilhões, recuo de 44,2%.

O vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB, Gilson Bittencourt, ligou parte da queda no Pronamp à antecipação do pré-custeio na safra passada. Sobre o Pronaf, ele afirmou que o desembolso está em linha com o da safra anterior, sinal de que a agricultura familiar está adimplente e pagando o crédito.

Banco aponta inadimplência e risco maior

Na agricultura empresarial, o banco vê retração ao longo da safra. Bittencourt disse que a redução na agricultura empresarial não é exclusiva do BB, pois cooperativas e outros bancos também diminuíram a concessão. Segundo ele, o movimento ocorre em meio ao aumento da inadimplência e à maior percepção de risco na carteira de crédito rural.

Nos financiamentos via títulos do agronegócio, o BB passou de R$ 6,7 bilhões entre julho e outubro da safra passada para cerca de R$ 3,7 bilhões na atual.

Farsul vê efeito a partir do plantio

A Farsul já alertava que os impactos da redução do financiamento podem aparecer com mais força na safra 2026/27, cujo plantio ocorre entre setembro e novembro. Entre as culturas gaúchas, a área financiada de trigo caiu 52% no estado e a de soja, a principal do RS, recuou 35,2%.

A inadimplência também pesa no estado. Segundo a entidade, a carteira de crédito rural em atraso chega a 41% no RS, ante 23,5% no país. A Farsul associa o agravamento às enchentes de abril e maio de 2024, que comprometeram a capacidade de pagamento de produtores gaúchos.

O que o BB projeta para a safra

Para toda a safra 2026/27, o BB anunciou R$ 210 bilhões em financiamentos ao agro. Cerca de R$ 40 bilhões vão para pequenos e médios produtores, e R$ 170 bilhões para a agricultura empresarial, em custeio, investimento, comercialização e industrialização. A safra se encerra em 30 de junho de 2027.

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