Governo Lula propõe perdoar R$ 12,6 bi em dívidas de 3,6 milhões de MEIs com a União
Projeto faz parte do Prospera MEI, pacote que inclui Pix de até R$ 5 mil e teto de faturamento de R$ 140 mil até 2028; o RS tinha 953 mil MEIs em 2024.
Por que afeta o RS: O perdão de dívidas e a proposta de aumento do limite de faturamento atingem os MEIs gaúchos, que integram os 3,6 milhões de microempreendedores do país.
Redação Bairrista · 13 de outubro de 2026 às 12:13 · 2 min de leitura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta terça (13), no Palácio do Planalto, o envio ao Congresso de um projeto que perdoa dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) com a União. O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, afirmou que são cerca de R$ 12,6 bilhões em dívidas de 3,6 milhões de MEIs.
No RS, a proposta alcança os microempreendedores gaúchos com débitos junto à União. Em abril de 2024, o governo federal contava 953.296 MEIs registrados no estado. O governo não informou quantos dos 3,6 milhões de devedores são gaúchos. Até o texto ser aprovado e as regras serem definidas, os débitos não podem ser considerados automaticamente perdoados.
O que o pacote Prospera MEI traz
A medida central é um projeto de lei complementar. O governo vai enviá-lo ao Congresso em regime de urgência. Lula disse aos microempreendedores: "Vamos ajudar vocês a saírem do sufoco".
O pacote tem cinco medidas:
- Perdão das dívidas dos MEIs com o governo federal, por projeto de lei complementar.
- Desenrola para MEIs: o governo comprará carteiras de dívidas dos MEIs com instituições financeiras, com descontos acima de 90% nos leilões.
- Pix MEI: repasse de até R$ 5 mil para o empreendedor investir no negócio, que o ministro definiu como uma espécie de fomento.
- Teto de faturamento: o governo reiterou ao Congresso o interesse em aprovar o aumento do limite anual.
- Nota fiscal: um decreto acaba com a obrigatoriedade de o MEI emitir nota fiscal nas vendas para pessoas físicas.
Teto de R$ 140 mil já tramita na Câmara
A proposta de aumento do limite de faturamento não é nova. Em junho, o governo enviou um projeto que eleva o teto de R$ 81 mil para R$ 110 mil a partir de 2027 e para R$ 140 mil em 2028. O limite atual não é reajustado desde 2018, e o texto ainda não avançou na Câmara dos Deputados.
O impacto fiscal do reajuste do teto, nos moldes do projeto do governo, seria de cerca de R$ 8 bilhões em três anos. O governo quer votar o perdão das dívidas na Câmara junto com o aumento do teto, ainda nesta semana.
Anúncio ocorre antes do segundo turno
O anúncio ocorre 12 dias antes do segundo turno, em que Lula disputa a reeleição contra Flávio Bolsonaro (PL).
Serviço
- O que falta: votação na Câmara e no Senado do projeto de perdão e do projeto do teto de faturamento.
- Dívidas com bancos: o Desenrola para MEIs depende de leilões, e o governo ainda não divulgou datas.
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