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Flórida emite mandado de prisão contra Raúl Castro, 95, por derrubada de aviões em 1996

Juíza de Miami assinou ordem sem direito a fiança por conspiração para homicídio; caso corre em paralelo ao processo federal aberto em maio.

Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

Raúl Castro caminha ao lado do papa Francisco em uma pista de aeroporto.
Foto: Calixto N. Llanes / Wikimedia Commons (CC0)

O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, anunciou nesta segunda (19) um mandado de prisão contra o ex-líder cubano Raúl Castro, 95 anos. A acusação é de conspiração para cometer homicídio em primeiro grau na derrubada de dois aviões da Hermanos al Rescate, em 1996. O mandado não prevê fiança. A juíza-chefe Ariana Fajardo Orshan, do 11º Circuito Judicial, assinou a ordem na sexta-feira (16).

Quadro: Flórida emite mandado de prisão contra Raúl Castro, 95, por derrubada de aviões em 1996
Entenda em um quadro · Bairrista

A prisão, na prática, dificilmente sai do papel por ora. O estado não planeja prender Castro de imediato. Uthmeier disse que as acusações limitam por onde ele pode circular, o que poderia atrapalhar a busca por atendimento de saúde. O mandado indica que a Flórida pretende pedir a extradição caso Castro seja detido fora do estado.

Dois processos, um mesmo caso

Castro já responde a um processo federal pela derrubada. A denúncia federal é de 20 de maio. A acusação estadual é independente e tramita em separado, com base na lei da Flórida.

O mandado estadual tem uma única acusação, classificada como crime de primeiro grau. Segundo o documento, parte da conspiração ocorreu nos condados de Miami-Dade e Monroe, com coleta e envio de dados de voo por agentes de inteligência. O texto sustenta que Castro, então ministro da Defesa e primeiro vice-presidente de Cuba, foi um dos decisores finais da cadeia de comando que autorizou o ataque.

O ataque de 1996

Em 24 de fevereiro de 1996, três aviões desarmados decolaram do aeroporto de Opa-Locka. Depois de cruzarem o paralelo 24, caças MiG cubanos dispararam mísseis contra dois deles e mataram todos a bordo. As vítimas foram Carlos Costa, Pablo Morales, Mario de la Peña e Armando Alejandre Jr. O terceiro avião, com o líder do grupo, José Basulto, escapou.

"A Flórida jamais deixará de buscar responsabilização por essa conspiração comunista", escreveu Uthmeier em comunicado. O anúncio vem num momento em que os EUA aumentam a pressão sobre o governo de Havana. Em maio, o presidente Miguel Díaz-Canel chamou a denúncia federal de "ação política".

O caso segue aberto, e novas acusações são possíveis, segundo o gabinete do procurador-geral.

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