Flávio apaga carta de 'presidente eleito' e se apresenta como 'líder do Brasil'
Senador do PL contesta o 2º turno sem apresentar provas, mas o TSE confirmou Lula reeleito, e a PF diz não haver registro de saída dele pelos postos migratórios.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou nesta quarta (28), já nos Estados Unidos, uma carta em que se dizia "presidente eleito" e "verdadeiro presidente do Brasil". Pouco depois, trocou o texto por uma nova versão, em que aparece como "líder do Brasil". A primeira versão foi apagada.
O título não tem efeito prático, no RS ou em qualquer lugar do país. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reeleito, com 64,2 milhões de votos no 2º turno. Flávio segue sem cargo executivo: é senador pelo Rio de Janeiro desde 2019.
O que mudou entre as duas cartas
Na primeira versão, ele abria o texto dirigindo-se ao povo brasileiro e à comunidade internacional como "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". A imagem trazia um brasão da República com "Brazil" escrito com "z".
Na segunda carta, também em imagem, ele trocou "verdadeiro presidente do Brasil" e "presidente eleito" por "líder do Brasil" e "líder". O texto manteve as acusações de fraude eleitoral, sem apresentar provas. Flávio critica o Judiciário, fala em "perseguição política" e nega que tenha fugido, comparando a saída a casos de exílio político. Ele afirma que vai liderar a oposição a partir dos Estados Unidos.
Resultado foi reconhecido até pelo partido dele
Segundo o TSE, Lula teve 64.256.232 votos (51,79% dos válidos) e Flávio, 59.826.041 (48,21%), diferença de 4.430.191 votos. O TSE, o vice na chapa dele, Alfredo Gaspar, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aliado de Flávio, reconheceram oficialmente o resultado.
PF diz não haver registro de saída
Em nota divulgada nesta quarta (28), a Polícia Federal informou que não há registro oficial de saída de Flávio pelos postos de controle migratório brasileiros. A corporação afirma que, em 25 de outubro, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) medidas cautelares contra o senador na PET 16877/DF.
Segundo a PF, após decisão judicial, os passaportes comum e diplomático foram cancelados, e um alerta migratório entrou no sistema SONAR. A nota diz ainda que Flávio foi intimado na manhã de 26 de outubro a entregar, em 24 horas, eventuais passaportes de outras nacionalidades. Ele não entregou.
A BBC e o Valor Econômico relatam que o ministro Alexandre de Moraes mandou apreender os passaportes e proibiu o senador de deixar o país, a pedido da PF. A BBC informa que autoridades argentinas disseram que Flávio, a esposa e duas famílias entraram na Argentina às 22h50 de terça (27), no horário local. O Valor publicou que ele cruzou a fronteira por terra e desembarcou em Miami nesta quarta.
As reportagens descrevem duas investigações no STF: uma sobre suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e o financiamento do filme Dark Horse, com recursos atribuídos ao Banco Master; outra sobre lavagem em negócios ligados a apostas e ao advogado Willer Tomaz. A defesa de Flávio não é citada nas reportagens consultadas sobre essas investigações.
Saber mais
- Polícia Federal – Nota à imprensa
- BBC News Brasil – Flávio Bolsonaro pode ser considerado foragido?
- Valor Econômico – Entenda o que a PF disse ao STF para reter o passaporte de Flávio Bolsonaro
- Terra – Após se autodeclarar 'presidente eleito', Flávio Bolsonaro volta atrás e declara 'líder do Brasil'
- Metrópoles – Em carta, Flávio se declara "verdadeiro presidente eleito do Brasil"
- Portal O Dia – Flávio Bolsonaro apaga carta em que se dizia "presidente eleito"
- Polêmica Paraíba – Flávio Bolsonaro apaga carta em que se declarava presidente eleito
- Folha do Estado da Bahia – Após fuga, Flávio se diz 'presidente eleito', apaga post e passa a se chamar de 'líder do Brasil'
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