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Fim da moratória de Milei reduz 53% os novos aposentados; campanha de Flávio cita modelo

Dados oficiais argentinos mostram 99,6 mil novas aposentadorias no 1º semestre de 2026, e o Cepa calcula que o piso seria 21,6% maior com a fórmula antiga.

Redação Bairrista · 14 de outubro de 2026 às 09:19 · 3 min de leitura

Imagem de divulgação do site Noticias de la Calle sobre aposentados e a Previdência na Argentina

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Foto: Divulgação/www.noticiasdelacalle.com.ar

O número de argentinos que entraram na Previdência caiu 53% em dois anos: de 213,9 mil no primeiro semestre de 2024 para 99,6 mil no primeiro semestre de 2026. A queda foi registrada pelos Boletins Estatísticos da Previdência Social (BESS) do país. A principal causa é o fim da moratória previdenciária, que o governo de Javier Milei não renovou.

O dado entrou na disputa do segundo turno no Brasil e chega perto de casa: o INSS paga mais de 2,7 milhões de benefícios no Rio Grande do Sul. Daniella Marques, coordenadora da equipe econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), diz que o governo Milei é uma inspiração e um "ótimo exemplo".

O candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobra de Flávio uma explicação sobre o "tesouraço". O senador nega que vá fazer ajuste sobre aposentadorias ou programas sociais. A campanha de Flávio ainda não detalhou quais despesas pretende cortar.

Desindexação limitaria reajuste à inflação

Uma das demandas do mercado financeiro é desindexar as aposentadorias do salário mínimo. Isso limitaria os reajustes à inflação, sem ganho real. Hoje, a regra do mínimo prevê ganhos reais de até 2,5% acima da inflação.

A proposta em análise na campanha de Flávio prevê enviar ao Congresso uma "Super PEC da Transição" logo após o resultado.

Moratória acabou em março de 2025

A moratória permitia a quem já tinha a idade mínima, mas não os 30 anos de contribuição, regularizar o período sem aportes. A vigência da última moratória expirou em março de 2025, e o governo decidiu não renová-la.

A comparação muda conforme o ano-base. Dados da Subsecretaria de Seguridade Social, ligada ao Ministério de Capital Humano, mostram 99.673 novas aposentadorias no semestre. São 45% menos que no mesmo período de 2025 e 53% abaixo de 2024.

No semestre, 43% das novas aposentadorias foram concedidas por moratória e 57% sem ela. Algumas moratórias seguem valendo em situações específicas.

Reajuste só pela inflação deixa piso 21,6% menor

Em março de 2024, Milei trocou a fórmula de reajuste por decreto (DNU 274/2024). Desde então, as aposentadorias sobem todo mês conforme a inflação oficial. A regra anterior, da Lei 27.609 de 2021, combinava a variação dos salários e a arrecadação da Previdência, em partes iguais.

O Centro de Economia Política Argentina (Cepa) calculou que, em junho de 2026, a aposentadoria mínima sem bônus ficou em 403.327 pesos. Com a fórmula anterior, seria de 490.621 pesos, ou 21,6% a mais. O Cepa também afirma que a correção só pela inflação evita novas perdas de poder de compra, mas limita qualquer recuperação real.

O advogado Luciano González Etkin, especialista em seguridade social, disse à Agência Brasil que a mudança consolida uma perda de poder de compra que vinha desde 2018.

Piso de R$ 1.662 cobre um quarto das necessidades

Em outubro, a aposentadoria argentina subiu 1,66%. O valor mínimo chegou a 505.748,51 pesos, já com o bônus fixo de 70 mil pesos, o equivalente a cerca de R$ 1.662.

A organização Espaço Gerontovida calcula que esse valor cobre cerca de 25% das necessidades básicas mensais de um idoso. Segundo Etkin, os aposentados fazem protestos semanais em Buenos Aires.

Serviço

O segundo turno da eleição presidencial é em 25 de outubro.

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