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Fim da 6x1 pede 288 mil operários a mais, diz CBIC; Abrainc vê imóvel 5,5% mais caro

A CBIC calcula R$ 13,5 bilhões por ano para repor as horas e projeta 30 mil moradias a menos por ano no Minha Casa, Minha Vida.

Redação Bairrista · 15 de outubro de 2026 às 12:47 · 2 min de leitura

Fim da 6x1 pede 288 mil operários a mais, diz CBIC; Abrainc vê imóvel 5,5% mais caro
Foto: Divulgação/Agência Senado

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) estima que o fim da escala 6x1 obrigará o setor a contratar cerca de 288 mil trabalhadores para manter o ritmo atual das obras. O Senado aprovou a PEC nesta quarta (14), por 75 votos a 1, e o texto segue para promulgação.

Para quem vive no RS, o alerta das entidades é sobre o bolso: obras mais caras, imóvel com preço maior e menos casas populares financiadas. As estimativas são nacionais. O senador gaúcho Hamilton Mourão foi o único voto contrário à proposta no Senado.

CBIC prevê obras pelo menos 6% mais caras

Com a jornada caindo de 44 para 40 horas sem corte de salário, a CBIC calcula alta de até 15% no custo direto da mão de obra nos canteiros. O custo total das obras subiria pelo menos 6%.

A entidade calcula em R$ 13,5 bilhões por ano o custo de contratar os 288 mil empregados adicionais. Isso corresponde a quase 600 milhões de horas de trabalho a menos por ano.

No Minha Casa, Minha Vida, a CBIC projeta cerca de 30 mil unidades financiadas a menos por ano, com impacto sobre 83 mil pessoas. A alta de custos atinge sobretudo empreendimentos de margem apertada, como os de habitação popular.

A economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, afirmou que as empresas terão de buscar uma mão de obra que "não existe no país". O vice-presidente de Política de Relações Trabalhistas da entidade, David Fratel, afirmou que a nova jornada esbarra também na alta informalidade do setor.

Abrainc vê imóveis 5,5% mais caros

A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) projeta alta de cerca de 5,5% no preço dos imóveis com a jornada de 40 horas. O cálculo vem de estudo da consultoria Ecconit. Pelas contas da associação, até 2,5 milhões de famílias ficariam sem acesso ao crédito imobiliário. O valor financiado subiria sem aumento equivalente da renda.

O presidente da Abrainc, Luiz França, defende um prazo maior de adaptação para o setor. Segundo ele, "após o lançamento, ainda leva de 36 a 40 meses para entregar aquele empreendimento".

O SindusCon-SP, sindicato da construção paulista, projeta alta de 5% a 6% no preço das unidades residenciais.

Jornada cai primeiro para 42 horas

O texto reduz a jornada máxima semanal de forma gradual. Primeiro, para 42 horas, dois meses após a promulgação. Depois, para 40 horas, sem redução salarial e com dois dias de repouso semanal remunerado.

Serviço

  • Aprovação: Senado, 14 de outubro de 2026, em dois turnos, por 75 votos a 1
  • Próximo passo: promulgação da PEC pelo Congresso

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