Exportações de arroz sobem 3,3% em volume no 3º trimestre, mas receita cai 3%
No acumulado de janeiro a setembro, os embarques brasileiros cresceram 48,9% e chegaram a 1,59 milhão de toneladas, segundo a Abiarroz.
Por que afeta o RS: O Rio Grande do Sul responde pela maior parte da produção nacional de arroz, e o desempenho das exportações e das importações do Mercosul influencia diretamente os preços pagos ao produtor gaúcho.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O Brasil exportou 474,8 mil toneladas de arroz em base casca entre julho e setembro de 2026, alta de 3,3% sobre o mesmo trimestre de 2025, quando foram 459,8 mil toneladas. A receita foi de US$ 121,9 milhões, queda de 3% na comparação anual. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) e usam o Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O Rio Grande do Sul responde pela maior parte da produção nacional de arroz. Por isso, o volume vendido ao exterior e a entrada do grão importado do Mercosul influenciam o preço pago ao produtor gaúcho. Mais tonelagem com menos dinheiro entrando significa preço médio menor por tonelada embarcada.
Acumulado do ano tem alta de 48,9%
De janeiro a setembro, os embarques somaram 1,59 milhão de toneladas em base casca, 48,9% a mais que nos nove primeiros meses de 2025. O valor movimentado chegou a US$ 388,7 milhões, avanço de 20,4%.
Beneficiado perde espaço por restrições
As vendas de arroz beneficiado (descascado, semibranqueado ou branqueado, mais o grão quebrado) somaram 238,1 mil toneladas em base casca no trimestre, com receita de US$ 55,9 milhões. Segundo a gerente de Exportações da Abiarroz, Beatriz Sartori, o resultado sofreu com dificuldades de acesso a mercados importantes.
"As restrições às rotas para Cuba, que esteve entre os principais destinos do arroz brasileiro no primeiro semestre, impactaram os embarques de grão polido. Também contribuíram as novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos e a combinação de preços mais elevados com dificuldades logísticas para atender ao Oriente Médio", explicou.
Senegal e Peru estiveram entre os principais compradores. O país africano levou 118,3 mil toneladas de arroz quebrado, com receita de US$ 22,1 milhões. O Peru recebeu 19,8 mil toneladas de arroz polido, o que rendeu US$ 7,5 milhões. Em seguida vêm os Países Baixos, com 29,9 mil toneladas e US$ 5 milhões, e os Estados Unidos, com 9,2 mil toneladas e US$ 4,3 milhões.
Arroz em casca compensa
O arroz exportado ainda com casca somou 236,7 mil toneladas no trimestre e gerou US$ 66 milhões. Em julho a setembro de 2025, os embarques desse tipo foram de 177,7 mil toneladas.
Importações crescem 24,1%
No mesmo período, o Brasil importou 499,7 mil toneladas de arroz em base casca, alta de 24,1% sobre o trimestre equivalente de 2025. As compras custaram US$ 139 milhões, 25,2% a mais.
De janeiro a setembro, as importações somaram 1,28 milhão de toneladas, crescimento de 16%, e o gasto recuou 2%, para US$ 318,8 milhões. O Mercosul respondeu por 96% das importações de arroz beneficiado, com Paraguai, Uruguai e Argentina entre os principais fornecedores.
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