EUA sancionam escritório do Panamá e da Grécia por ajudar Irã a driblar sanções
Operação Economic Outcast mira advogados e agentes marítimos, e o Tesouro americano diz que amplia o risco para quem negocia com Teerã, mesmo fora dos EUA.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou nesta quarta (21) o escritório de advocacia Karnakis and Karnakis, com atuação no Panamá e na Grécia. O Tesouro diz que a banca apoia o transporte marítimo ilícito iraniano há anos e, indiretamente, ajuda Teerã a financiar seus programas militar, de armas e nuclear. As medidas fazem parte da Operação Economic Outcast, lançada em agosto.
Para quem acompanha comércio exterior, o recado vai além dos navios. O Tesouro afirma que a operação ampliou o risco de sanções para pessoas de fora dos EUA que seguem fazendo negócios com o regime iraniano. A ação não cita empresas brasileiras nem gaúchas.
Escritório registrava empresas de fachada
Segundo o Tesouro, o escritório usou a atividade jurídica para registrar empresas de navegação donas de navios da chamada frota sombra. Esses navios transportaram centenas de milhões de dólares em aço, petróleo e petroquímicos iranianos. A banca foi agente corporativo de várias empresas do magnata iraniano de gás liquefeito Seyed Asadoollah Emamjomeh, entre elas algumas também sancionadas.
Funcionários do escritório, como o panamenho Roberto Ortega Jones, atuam como diretores e dirigentes das empresas registradas, para esconder os verdadeiros donos. Também entraram na lista de sancionados Sofianos, Konstantinos e Ioanis Karnakis Kosmas, além de Pedro Ortega Jones.
O Departamento de Estado, em comunicado próprio, afirma que as empresas criadas pelo escritório serviram de fachada para redes que vendiam milhões de barris de petróleo iraniano. A venda beneficiava a Força Quds, braço da Guarda Revolucionária, e os houthis.
Navios e agentes marítimos também entram na lista
As designações seguem a Ordem Executiva 13902, que mira os setores de petróleo e petroquímica do Irã, entre outros. O Tesouro também sancionou a Roxette Maritime Shipping and Trading, que administra os cargueiros de bandeira panamenha. Sancionou ainda agentes marítimos de Singapura e dos Emirados Árabes Unidos que ajudam diretamente a frota sombra. Segundo a imprensa panamenha, são sete navios com bandeira do Panamá.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que quem apoia o regime iraniano será encontrado e sancionado. Segundo ele, isso vale para transferências ilegais de petróleo no mar e para a sala de canto de um escritório de advocacia.
Banco grego é investigado
A FinCEN, unidade de inteligência financeira do Tesouro, investiga possíveis vínculos de um banco grego com o Irã e seus aliados. O banco não foi identificado. A apuração é coordenada com parceiros europeus, inclusive na Grécia. A FinCEN também enviou pedidos de informação a outros seis bancos europeus, sem nomeá-los, sobre relações com instituições financeiras iranianas sancionadas.
O escritório Karnakis and Karnakis não respondeu de imediato a pedido de comentário, segundo o The Times of Israel.
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