EUA pedem ao Banco Mundial que acabe com a proibição de financiar petróleo e gás
Tesouro americano também anunciou aporte a um fundo nuclear do banco e cobrou mais minerais críticos e compras com mais concorrência.
Redação Bairrista · 15 de outubro de 2026 às 11:37 · 2 min de leitura

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, pediu ao Banco Mundial que acabe com a proibição de financiar projetos de exploração e produção de petróleo e gás. O pedido consta de declaração escrita divulgada nesta quarta (14), dirigida aos comitês do Banco Mundial e do FMI, durante as reuniões anuais em Bangkok, na Tailândia.
Por enquanto, nada muda na prática. A declaração é um pedido político do maior acionista do banco, não uma decisão da instituição. Nos textos consultados, não há registro de proposta formal ao conselho nem de resposta do Banco Mundial, da União Europeia, da China ou do Brasil. Também não há estimativa de quanto crédito poderia ser redirecionado, nem de efeito sobre combustíveis, commodities ou projetos no RS.
O que Bessent pediu
Bessent defendeu que o banco adote uma abordagem "tecnologicamente neutra" para energia e retire as barreiras a projetos de gás natural e petróleo. Ele disse que o banco deve tratar as fontes de energia com neutralidade tecnológica e remover restrições a esses projetos. Segundo o Tesouro, o banco não pode invocar a responsabilidade de cada país por suas escolhas e, ao mesmo tempo, excluir de saída projetos de exploração, antes de avaliar o mérito de cada um.
A proibição em questão vem de 2019. Ela vale para novos financiamentos de exploração e produção, com exceção limitada para gás em países mais pobres.
Nuclear, minerais e compras
O Tesouro dos EUA informou que fará uma contribuição inicial ao novo Nuclear Energy Assistance Trust Fund, administrado pelo Banco Mundial, para ajudar países a preparar investimentos futuros em energia nuclear. O valor do aporte não foi divulgado.
Sobre minerais críticos, o Tesouro afirmou que o banco tem papel a cumprir na mineração e no processamento desses minerais, inclusive na mineração em águas profundas, com conhecimento e orientação a um setor ainda incipiente.
Nas compras, Bessent disse que as regras do banco não devem estimular subsídios nem premiar políticas industriais distorcivas, e que as reformas devem gerar mais concorrência e qualidade.
Ele também pediu que países mais ricos, como China e Polônia, deixem mais rápido de tomar empréstimos do banco.
Pressão também sobre o FMI
Na mesma declaração, Bessent afirmou que o FMI deve reagir mais às políticas não mercantis de alguns países que geram desequilíbrios globais, uma referência velada às críticas dos EUA à China.
As reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial seguem em Bangkok.
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