EUA e Rússia vetam projetos rivais e missão da ONU no Saara Ocidental fica sem mandato
Sem acordo no Conselho de Segurança, a autorização da MINURSO vence neste sábado (31), e Marrocos já pede a saída da missão do território.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

Estados Unidos e Rússia vetaram, nesta sexta (30), os projetos um do outro no Conselho de Segurança da ONU. A missão de paz no Saara Ocidental ficou sem mandato renovado a um dia do vencimento. A autorização da MINURSO expira neste sábado (31), a menos que o Conselho aprove uma extensão de última hora.
O caso não tem efeito direto sobre o Rio Grande do Sul. É um impasse entre duas potências sobre um território no norte da África, e mostra o quanto o Conselho está dividido.

O que cada projeto previa
O texto americano estendia a missão por mais um ano, firmava o plano de autonomia de Marrocos como única base das negociações e reduzia o componente militar. Recebeu 11 votos a favor, um contra e três abstenções. O voto contrário foi da Rússia, que também tem poder de veto.
Horas antes da votação, os russos apresentaram um texto que apenas prorrogava o mandato por mais um ano, sem as mudanças do projeto americano. O projeto teve três votos a favor, um contra e 11 abstenções. O voto contrário foi dos Estados Unidos, que também têm poder de veto.
Por que cada lado votou assim
O embaixador americano, Mike Waltz, disse que a missão não cumpriu em 35 anos o objetivo de organizar um referendo. Washington defende uma versão reformulada da MINURSO. O embaixador russo, Vassily Nebenzia, rebateu. "O Conselho de Segurança não pode predeterminar automaticamente questões de soberania", afirmou.
O que acontece com a missão
A MINURSO existe desde 1991 e acompanha o cessar-fogo entre Marrocos e a Frente Polisário, que reivindica o território. Sem renovação, a autorização da missão acaba no fim deste sábado (31). A ONG Oxfam alertou que a perda da missão pode colocar refugiados em risco.
Waltz afirmou que a redução da presença da ONU precisa ser ordenada. Segundo ele, o processo deve proteger o pessoal da ONU e atender a necessidades legítimas de segurança e humanitárias.
O Gabinete Real de Marrocos celebrou o resultado. Disse que pessoal, veículos, equipamentos e símbolos da missão devem deixar as províncias do sul em poucos dias. O governo marroquino também quer que o tema saia da pauta do Conselho.
A Frente Polisário, por meio de seu representante na ONU, Sidi M. Omar, saudou a rejeição do texto americano. Disse que ele prejudicaria o direito do povo saaraui à autodeterminação e que a Frente não participará de um processo contrário a esses direitos.
O Conselho não anunciou data para nova votação. Os Estados Unidos afirmaram que seguirão com a diplomacia e trabalharão com o secretário-geral da ONU em segurança e proteção do pessoal. A MINURSO tem vigência até o fim deste sábado (31).
Saber mais: fontes consultadas (7)
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