EUA e junta militar de Mianmar têm 2º encontro secreto em Tóquio em um mês
Washington reabre contato com os generais que isolou após o golpe de 2021, e o empresário Adam Castillo, preso em junho, já foi solto em setembro.
Redação Bairrista · 16 de outubro de 2026 às 18:01 · 2 min de leitura

Representantes dos Estados Unidos e do governo militar de Mianmar conversaram em Tóquio na semana passada. Foi o segundo encontro em um mês, enquanto Washington amplia a reaproximação com os generais que evitava desde o golpe de 2021. A informação é uma exclusiva da Reuters, com base em três pessoas que pediram anonimato, entre elas um funcionário americano.
A aproximação mexe com a disputa global por terras raras, minerais usados em motores de carros elétricos e turbinas eólicas.
Delegação de mais de uma dúzia de americanos
O secretário assistente de Estado para Inteligência e Pesquisa, Michael Vance, voltou a chefiar as conversas. A delegação reuniu mais de uma dúzia de funcionários americanos.
Nem o representante de Mianmar nem a pauta do encontro foram revelados.
O Departamento de Estado não respondeu ao pedido de comentário, mas afirma dialogar com todos os grupos de Mianmar em temas de interesse dos EUA. Um porta-voz do governo militar também não respondeu.
O Ministério das Relações Exteriores do Japão, que sediou o encontro, disse apenas que se comunica "conforme necessário" com os dois lados e não comentou trocas específicas.
O que já saiu das conversas de setembro
As conversas anteriores, em meados de setembro na capital Naypyitaw, trataram da libertação de um empresário americano e do fechamento de centros de golpes online que miram americanos. Elas podem abrir caminho para temas mais amplos, como os depósitos de terras raras.
O empresário é Adam Castillo, ex-presidente da Câmara de Comércio Americana em Mianmar. Ele foi solto e deportado de Naypyitaw em 16 de setembro.
Tinha sido detido em 11 de junho no aeroporto de Yangon, acusado de usar a entidade que presidia para fazer lobby em Washington.
Ele nega irregularidades financeiras.
Aliados dele dizem que as acusações eram infundadas e nasceram de uma disputa pessoal com um empresário mianmarense.
Sanções seguem em vigor
Os EUA mantêm um conjunto de sanções contra os líderes de Mianmar e as empresas que os apoiam.
Na semana passada, porém, Washington suspendeu as sanções contra a filha de um empresário de Mianmar acusado de apoiar os militares. Segundo o governo americano, a medida faz parte de uma nova abordagem para o país.
Sobre os minerais, a maior parte das jazidas de terras raras pesadas fica em território controlado por grupos armados étnicos que combatem os militares. A China é a principal compradora.
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