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Estudo da UCLA aponta conteúdo nocivo em quase todas as contas do TikTok até o 40º vídeo

Pesquisadores analisaram mais de 8 mil vídeos e dizem que o algoritmo capta a tristeza do usuário e passa a sugerir material sobre automutilação e suicídio; especialistas da USP falam em ruminação e efeito contágio.

Redação Bairrista · Repórter de Educação · · 3 min de leitura

Mãos de uma pessoa usando um smartphone em ambiente com pouca luz.
Foto: Divulgação/Gov

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) concluíram que o algoritmo do TikTok identifica momentos de tristeza do usuário e passa a recomendar conteúdo cada vez mais nocivo. Em casos extremos, o material trata de automutilação e suicídio. A análise examinou mais de 8 mil vídeos da plataforma.

O dado que mais interessa a quem tem filho, aluno ou irmão com celular na mão é o ritmo da exposição. Segundo os pesquisadores, no 10º vídeo exibido, menos de 29% das contas engajadas continuavam livres de material nocivo. No 40º vídeo da sessão, entre 98,5% e 100% das contas já tinham recebido ao menos um vídeo com potencial de dano.

O que o algoritmo faz com a tristeza

De acordo com o estudo, o sinal mais forte para o algoritmo é o tempo de permanência na tela, mesmo sem nenhuma busca sobre o assunto. Quem para num vídeo sobre término de namoro, por exemplo, tende a receber outros parecidos, e a linha do tempo se enche de conteúdo sobre vulnerabilidade emocional.

Os pesquisadores afirmam que uma única sessão sobre um problema emocional deixa rastros no perfil. O sistema pode seguir sugerindo o tema mesmo quando o usuário passa a evitá-lo. Também não diferencia bem quem procura ajuda de quem expressa desespero: vídeos de acolhimento aparecem ao lado de conteúdo potencialmente nocivo.

Os tipos mais frequentes de material nocivo eram positividade tóxica e autodiagnóstico sem base científica. Vinham depois a desinformação sobre tratamentos e os conteúdos explícitos sobre suicídio e automutilação.

Especialistas da USP veem ruminação, dependência e efeito contágio

Renato Gallo é pesquisador do Programa Ambulatorial dos Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria da USP. Ele explicou que a pessoa com uma dor encontra confirmação para ela nas redes e passa a ruminar, ou seja, a pensar no assunto mais do que deveria. Segundo ele, o modelo das plataformas é feito para manter o usuário preso, sem levar em conta o estado emocional de quem está ali.

Rodrigo Menezes Machado é psiquiatra e coordena o Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria. Ele afirmou que esse tipo de conteúdo pode levar a diagnósticos equivocados, gastos com tratamentos inadequados e ao afastamento de quem precisa de atendimento. Machado também alertou para o efeito Werther, ou efeito contágio, em que a exposição a conteúdo sobre suicídio pode influenciar o comportamento de outras pessoas. Como exemplo, citou o aumento de tentativas de suicídio, sobretudo entre pessoas vulneráveis, depois da série 13 Reasons Why, da Netflix.

O psicólogo Vagner Rocha recomendou olhar com espírito crítico o que chega ao feed e priorizar atividades fora das telas, como exercício leve e encontros com amigos. Machado sugeriu programar bloqueios de aplicativos em certos horários e criar barreiras de acesso, como senhas.

ECA Digital impõe obrigações às plataformas

No Brasil, o ECA Digital (Lei nº 15.211/2025) trata da proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais e impõe obrigações às plataformas. Em outubro, o Governo Federal também publicou um guia sobre usos de inteligência artificial na infância e na adolescência. O documento menciona saúde mental e indica canais de apoio, entre eles o CVV, pelo 188.

Serviço: onde buscar ajuda

O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende pelo telefone 188, gratuito, sigiloso e disponível 24 horas por dia. O 188 começou a funcionar em setembro de 2015, primeiro apenas no Rio Grande do Sul, e hoje cobre o país todo. O CVV também atende por chat e e-mail, em cvv.org.br. Segundo o Ministério da Saúde, quem precisa de ajuda também pode procurar os CAPS e as Unidades Básicas de Saúde, além de UPA 24h, SAMU 192, pronto-socorro e hospitais. Em caso de risco imediato, a orientação é acionar o SAMU pelo 192 e não deixar a pessoa sozinha.

Perguntas frequentes

Como ligar para o CVV?

Pelo telefone 188, gratuito, sigiloso e disponível 24 horas por dia, ou pelo chat e e-mail em cvv.org.br.

Quem pode ajudar em caso de risco imediato?

Acionar o SAMU pelo 192 e não deixar a pessoa sozinha; também é possível procurar CAPS, UBS, UPA 24h ou pronto-socorro.

O que o estudo da UCLA encontrou?

Em quem se engajou com conteúdo triste, no 40º vídeo entre 98,5% e 100% das contas já tinham recebido ao menos um vídeo com potencial de dano.

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