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Em Canguçu, fumicultora troca estufa de vara pela elétrica; preço do tabaco cai 10,8%

Iria Neitzke, do Iguatemi, planta fumo há 29 anos e diz que insumos subiram e o preço não reagiu; a Afubra calcula queda de 13,5% no valor médio pago no RS.

Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 03:04 · 3 min de leitura

Em Canguçu, fumicultora troca estufa de vara pela elétrica; preço do tabaco cai 10,8%
Foto: Divulgação/Afubra

Iria Cleni Fuhrmann Neitzke, agricultora do Iguatemi, no 2º distrito de Canguçu, planta fumo há 29 anos. Ela diz que a estufa elétrica e o trator mudaram a rotina da família. O Dia Internacional da Mulher Rural foi na quinta (15). Em relato divulgado na sexta (16), ela afirma que o preço pago pelo fumo não teve valorização neste ano e que os insumos estão mais caros.

Quadro: Em Canguçu, fumicultora troca estufa de vara pela elétrica; preço do tabaco cai 10,8%
Entenda em um quadro · Bairrista

Os números do setor confirmam a pressão sobre a renda. O preço médio sul-brasileiro da safra 2025/2026 ficou em R$ 18,07/kg, queda de 10,8% sobre os R$ 20,25/kg da safra anterior.

No Rio Grande do Sul, o preço médio total foi de R$ 17,69/kg, contra R$ 20,45/kg, recuo de 13,5%. Os dados são da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra).

Do cavalo e da estufa de vara ao trator

Iria começou a plantar fumo depois de casar, com o marido e o cunhado. A escolha, conta ela, veio da necessidade: a propriedade é pequena e o tabaco era a opção mais rentável para sustentar a família. Hoje, só duas pessoas tocam todo o serviço da lavoura.

Antes, o fumo era costurado à mão e pendurado em estufas de vara, e a secagem entrava pela madrugada. O preparo da terra dependia de cavalos e bois. Com a estufa elétrica, os grampos e o trator, a família ganhou tempo, aumentou a produção e passou a descansar mais.

O serviço segue pesado. Os maiores desafios, diz Iria, são o clima, com trabalho no sereno e sob calor forte. Ela afirma que o fumo ajudou a família a crescer financeiramente, a construir a casa e a pagar os estudos da filha.

Custo maior, preço menor

A Afubra apontou que o custo de produção da safra 2025/2026 subiu entre 6% e 12%, conforme a empresa, puxado pela lenha, pela escassez de mão de obra e pelo pacote tecnológico. Na negociação das tabelas de preço mínimo, as propostas das fumageiras ficaram abaixo até do índice de variação do custo de produção.

Ao longo da comercialização, o valor também escorregou. Em julho, o presidente da Afubra, Marcilio Drescher, informou que o preço médio do Virgínia passou de cerca de R$ 21 por quilo, em fevereiro, para R$ 15,55 no período mais recente.

Segundo a entidade, o cenário está ligado à sobreoferta mundial, com a produção crescente de países africanos.

O peso de Canguçu na lavoura gaúcha

Canguçu é o maior produtor de tabaco do país. A área cultivada no município subiu de 9,5 mil para 11 mil hectares na safra 2025/2026, segundo a Emater/RS.

São Lourenço do Sul vem em seguida, com cerca de 9 mil hectares.

No clima, a safra foi irregular. A Emater/RS-Ascar registrou produtividade média de 2.300 kg/ha, com variações significativas por causa da distribuição irregular das chuvas.

Os gaúchos fecharam a safra com 286.603 toneladas, recuo de 5,5%.

A lavoura da próxima safra já avança. Na região de Pelotas, os produtores intensificaram o transplantio das mudas para as áreas definitivas. As tabelas de preço da safra 2026/2027 ainda precisam passar pela negociação entre a Afubra, as federações e as fumageiras.

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