Desmatamento cai a 3.335 km², mas 52,8% do fogo de outubro está em área já desmatada
Segundo análise do pesquisador Luiz Aragão, do Inpe, o fogo serve para limpar e manter pasto em terra aberta nos últimos anos.
Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 2 min de leitura

A Amazônia registrou 3.335 km² de desmatamento entre agosto de 2025 e julho de 2026, o menor valor desde 1988, segundo o Prodes, sistema do Inpe. Em outubro, porém, a maior parte dos focos de incêndio apareceu em terra que já tinha sido derrubada, de acordo com análise de Luiz Aragão, pesquisador do Inpe.
As duas notícias podem ser verdadeiras ao mesmo tempo porque medem coisas diferentes. O Prodes conta a floresta derrubada no período. O fogo, na maior parte dos casos, vem depois, em área já aberta. Por isso a queda do desmatamento não garante um outubro com menos queimadas.
Fogo em terra aberta
Aragão analisou dados da plataforma TerraBrasilis, do Inpe. Em outubro, 52,8% dos focos estavam em áreas desmatadas nos últimos três anos. Outros 30,6% ocorreram em áreas abertas havia mais tempo, e 15,9% atingiram vegetação nativa.
Para o pesquisador, o fogo faz parte da rotina de quem desmata. Ele explica que o dono da área usa o fogo para limpar a terra devastada e manter o pasto.
Governo vê fogo criminoso na mata
Nem todo foco, no entanto, está em pasto. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, sobrevoou o Amazonas. Ele disse que há focos no meio da floresta preservada, o que indica fogo criminoso, posto para degradar a mata e abrir caminho ao desmatamento.
O Amazonas é o estado mais pressionado neste outubro. Nos dez primeiros dias do mês, o estado registrou 1.380 focos, quase quatro vezes os 372 do mesmo período de 2025, segundo o Painel do Fogo do Censipam. O painel vincula ao desmatamento 174 desses focos, cerca de 13% do total, e não identifica a origem dos outros 1.206.
Desmatamento caiu 41,8% em um ano
Na Amazônia, a área desmatada ficou em 3.335 km², o menor valor da série iniciada em 1988. É uma redução de 41,8% em relação aos 5.731 km² do ciclo anterior. Em relação a 2022, a área desmatada caiu 71%, de 11.594 km² para os 3.335 km² atuais. O Pará continua na liderança, mas registrou queda de 45% na área devastada.
Taxa passará a ser mensal
O Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES, anunciou R$ 147,6 milhões para um novo sistema de monitoramento com inteligência artificial, que vai integrar o Prodes e o Deter. A taxa oficial, hoje divulgada uma vez por ano, passará a ser produzida mensalmente.
Saber mais
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima – apresentação Prodes 2026 (Inpe)
- Agência Brasil – Inpe: desmatamento na Amazônia atinge menor nível de série histórica
- InfoAmazonia – Amazônia tem a menor taxa de desmatamento já registrada pelo Inpe
- Poder360 – Desmatamento cai na Amazônia e no Cerrado em 2026
- Exame – Amazonas tem 36 cidades em emergência por incêndios
- Nexo Jornal – Queimadas no Amazonas e a atuação do governo federal
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