Pnuma diz que mundo vai passar de 1,5°C e pode chegar a 2,8°C até 2100
Para voltar à meta até o fim do século, emissões teriam de cair 18% até 2030, e o Brasil não está entre os países do G20 em rota de cumprir suas metas.
Por que afeta o RS: O relatório cita secas, enchentes e ondas de calor como impactos crescentes, fenômenos que já afetam o Rio Grande do Sul; o Brasil não está entre os países do G20 considerados no caminho para cumprir suas metas.
Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 2 min de leitura

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) publicou nesta quarta (14) o Emissions Gap Report 2026, que dá como perdida a chance de manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C. Segundo o relatório, a tarefa agora é reduzir o pico de temperatura durante a ultrapassagem e voltar a ficar abaixo desse limite até o fim do século. Com as políticas em vigor, o planeta pode chegar a 2,8°C em 2100.
Para o Rio Grande do Sul, o relatório lista ondas de calor, secas, enchentes e incêndios florestais entre os impactos que crescem a cada ano acima de 1,5°C. O estado viveu a enchente de maio de 2024 e secas que castigaram lavouras nos últimos anos. O Brasil não aparece entre os países do G20 avaliados como prováveis de cumprir as metas de 2030 com as políticas atuais.
Cortes de 18% até 2030 contrastam com promessas de 5% a 8%
Para uma trajetória de retorno a 1,5°C, as emissões globais teriam de cair 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, em relação a 2025. O cumprimento integral das promessas dos países renderia um corte de apenas 5% a 8% até 2030 e de 11% a 15% até 2035. Com as promessas cumpridas, o aquecimento ainda chegaria a 2,6°C até 2100.
Nesse cenário, o pico ficaria entre 1,7°C e 1,8°C por volta de 2050, e a temperatura voltaria a 1,5°C no fim do século. Mesmo no melhor cenário, a chance de sucesso seria de cerca de 50%. O relatório também prevê retirar da atmosfera aproximadamente 320 bilhões de toneladas de CO₂ ao longo do século, por meio de florestas recuperadas e de tecnologias de captura de carbono.
Emissões seguem em 58,4 bilhões de toneladas
As emissões globais somaram cerca de 58,4 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2025, praticamente o mesmo volume de 2024. A queima de petróleo, carvão e gás continuou crescendo, enquanto caíram as emissões ligadas a desmatamento e queimadas.
Até setembro de 2026, 124 países e partes do Acordo de Paris haviam apresentado novas metas, que cobrem cerca de 76% das emissões globais. O efeito sobre as projeções de temperatura foi pequeno. Entre os países do G20, só China, Índia, Indonésia, Rússia, África do Sul e Turquia foram avaliados como prováveis de cumprir as metas de 2030.
As projeções deste ano são piores que as do relatório anterior. O Pnuma atribui a piora principalmente à saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e a revisões nos cálculos das emissões históricas. A capacidade global de geração renovável cresceu três vezes mais rápido que o previsto desde 2015, e a solar, sete vezes.
O relatório defende acelerar a troca dos combustíveis fósseis, ampliar as renováveis, reduzir o metano e combater o desmatamento. Cada cinco anos de emissões de CO₂ mantidas nos níveis atuais somam cerca de 0,1°C ao pico de aquecimento.
Serviço: o Emissions Gap Report 2026 está em unep.org, na página da série Emissions Gap Report.
Perguntas frequentes
Qual é a meta de aquecimento global do Acordo de Paris?
O limite de 1,5°C, que o Pnuma diz não ser mais possível manter sem uma ultrapassagem temporária.
Quanto as emissões precisam cair até 2030 para voltar a 1,5°C?
Cerca de 18% em relação a 2025, segundo o relatório do Pnuma.
Até quanto o planeta pode aquecer com as políticas atuais?
Até 2,8°C em 2100, de acordo com o Emissions Gap Report 2026.
Onde está o relatório do Pnuma?
No site unep.org, na página da série Emissions Gap Report.
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