Rockström diz que aquecimento acelera e que o mundo pode passar de 1,5°C em poucos anos
Diretor do Instituto Potsdam citou Amazônia e recifes de coral como ecossistemas perto de danos irreversíveis, a 20 dias da COP31, na Turquia.
Por que afeta o RS: Maior risco de eventos meteorológicos extremos e impactos sobre agricultura e ecossistemas no Rio Grande do Sul.
Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 2 min de leitura

O climatologista Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre Impacto Climático, afirmou nesta terça (20) que o aquecimento causado pela queima de combustíveis fósseis está acelerando. Em palestra na conferência Reuters Sustainability Europe, em Londres, ele disse que os danos aos recifes de coral e à Floresta Amazônica estão perto de se tornar irreversíveis.

Segundo Rockström, a ciência mais recente confirma que o planeta está a caminho de superar 1,5°C de aumento na temperatura média da superfície nos próximos anos. Isso eleva a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos. Para o Rio Grande do Sul, que ainda convive com as marcas das enchentes de 2024, o alerta trata de eventos extremos como os que atingiram o estado.
O que ele disse sobre os pontos de não retorno
Rockström falou em ecossistemas próximos dos chamados pontos de virada, quando a mudança deixa de poder ser revertida. Além dos corais e da Amazônia, ele disse que partes do sistema de circulação do Atlântico estão à beira do colapso. Entre elas está a corrente que suaviza o clima da Europa Ocidental com águas quentes do Caribe.
O cientista não informou, na palestra, um ano para a ultrapassagem de 1,5°C nem um índice atual de degradação da Amazônia ou dos recifes.
Ele ainda fez recomendações às empresas. Para ele, as companhias devem tratar clima e natureza como uma agenda única, e não como temas separados. Rockström também chamou de "incredibly disturbing" a pressão para afrouxar as regras de eliminação dos carros a combustão.
COP31 abre em 9 de novembro com expectativa modesta
A fala vem às vésperas da conferência do clima da ONU. Antália sediará as negociações de 9 a 20 de novembro. A Turquia exerce a presidência, e a Austrália conduz as negociações. Segundo David Waskow, do World Resources Institute, os governos precisam avançar de forma concreta, embora possa não haver resultados espetaculares neste ano.
A ideia é submeter ao plenário uma "decisão promovida pela presidência", preparada com antecedência.
O Brasil chega com agenda própria. O país definiu 114 eventos para seu pavilhão oficial. A programação, de 9 a 19 de novembro, inclui debates sobre desmatamento, energia, financiamento climático, agricultura, justiça climática e adaptação.
Serviço
A COP31 acontece de 9 a 20 de novembro de 2026, em Antália, na Turquia. O pavilhão brasileiro funciona de 9 a 19 de novembro, com 114 eventos escolhidos entre 780 propostas inscritas.
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