Desemprego de 7,9% e pobreza de 32,3% na Argentina de Milei entram na briga Lula x Flávio
A inflação argentina fechou 2025 em 31,5%, a menor desde 2017, mas o INDEC mostra emprego e renda sob pressão, e o modelo virou munição no segundo turno brasileiro.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

A Argentina de Javier Milei virou argumento de campanha na reta final da eleição presidencial brasileira. O senador Flávio Bolsonaro (PL) cita o vizinho como exemplo de ajuste das contas públicas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aponta o custo social do corte de gastos. O segundo turno é no domingo (25).
Para o eleitor gaúcho, a discussão passa por saber o que o candidato pretende cortar e quanto isso pesa no emprego e na renda. O plano de governo de Flávio promete um "tesouraço" para enxugar a máquina e reduzir impostos, mas não detalha onde e de que tamanho seriam os cortes.
O que dizem os dados oficiais
A inflação argentina de 2025 foi de 31,5%, segundo o INDEC, o instituto oficial de estatísticas do país. É o nível mais baixo desde 2017. O índice vinha de 211,4% em 2023, último ano do governo de Alberto Fernández. Em 2024, ficou em 117,8%.
O ritmo, porém, não segue em queda. A inflação de setembro foi de 1,9%, contra 1,7% em agosto, e chegou a 33,4% em 12 meses.
No mercado de trabalho, a desocupação foi de 7,9% no segundo trimestre de 2026, o nível mais alto desde o terceiro trimestre de 2021, quando foi de 8,2%. Desde o fim de 2023, o emprego registrado caiu em 631.300 postos, e a ocupação não registrada cresceu em 780.600 pessoas.
A pobreza atingiu 32,3% das pessoas no primeiro semestre de 2026, 4,1 pontos a mais que no segundo semestre de 2025, quando era de 28,2%. O INDEC não encontrou mudança estatisticamente significativa frente ao primeiro semestre de 2025, de 31,6%. A atividade econômica tem duas quedas anuais seguidas, e uma nova baixa do PIB no terceiro trimestre configuraria recessão técnica.
Fechamento de empresas tem ressalva
Reportagens argentinas citam o fechamento de mais de 32 mil empresas desde a posse de Milei. A conta vem da Superintendência de Riscos do Trabalho e compara o número de empregadores registrados: eram 512.357 em novembro de 2023 e 480.067 em julho de 2026, queda de 6,3%. A série mede empregadores com registro ativo, e a redução não prova, por si só, que cada um deles tenha encerrado as atividades.
Como a campanha usa o tema
Flávio defendeu a política econômica de Milei em Buenos Aires e disse que o argentino "cortou a própria carne do Estado". O presidente argentino esteve no lançamento da campanha do senador, em 25 de julho. Daniella Marques, coordenadora do núcleo econômico da campanha, também elogiou o modelo.
Do lado de Lula, uma peça nas redes do PT liga o senador ao modelo argentino, cita a pobreza e a reforma trabalhista de Milei, aprovada em fevereiro. A peça usa a frase "Milei fez lá. Flávio quer fazer aqui". Em julho, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que risco-país, dívida pública e inflação são muito mais altos na Argentina do que no Brasil.
No primeiro debate do segundo turno, Lula perguntou a Flávio se pretende adotar o modelo argentino. Flávio não respondeu diretamente e disse que governos de direita precisam "consertar" problemas deixados pela esquerda.
Próximos dados
O INDEC divulga os números do terceiro trimestre de 2026 em 18 de dezembro. A eleição presidencial argentina está marcada para outubro de 2027.
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