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Economia

Cotribá entra em liquidação com 90% do patrimônio de R$ 800 milhões comprometido

Liquidante Sérgio Strentzke projeta prejuízo de R$ 164 milhões em 2026 e diz que ainda não existe cronograma para pagar os credores.

Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 3 min de leitura

Ilustração do Bairrista sobre: Symbolic, non-literal editorial illustration (no reenactment of the event, no people): A large white agro-industrial cooperative warehouse w
Ilustração: Bairrista

A Cotribá, cooperativa agropecuária de Ibirubá, no Noroeste do RS, começou a liquidação com cerca de 90% do patrimônio estimado em R$ 800 milhões preso a garantias financeiras ou medidas judiciais. A cooperativa projeta prejuízo de R$ 164 milhões ao fim de 2026, sobre faturamento de R$ 313 milhões. Os números foram apresentados em coletiva na quarta-feira (21), um dia depois da assembleia que aprovou a medida.

Para produtores, fornecedores e funcionários, o recado tem duas partes. A cooperativa poderá continuar recebendo, armazenando e comercializando grãos enquanto reorganiza as contas. Mas o liquidante, Sérgio Strentzke, reconheceu que não há cronograma de pagamento: o plano ainda precisa ser feito, e o que a cooperativa pagar dependerá do dinheiro que conseguir movimentar.

Assembleia aprovou por unanimidade dos presentes

A decisão foi aprovada por unanimidade na terça-feira (20), com 375 associados presentes. A Cotribá tem 11.393 cooperados. Os presentes representam pouco mais de 3% do quadro. Os associados também aprovaram a dissolução voluntária e elegeram Strentzke, até então presidente, como liquidante.

A fiscalização ficará com um conselho fiscal. Os titulares são Paulo Rogério Prediger, Márcio Ribamar Garmatz e Ingo Ahlert. O procedimento prevê prestação de contas em assembleias semestrais ou quando necessário. Segundo a administração, uma auditoria externa independente também será contratada.

Dívida de R$ 1,4 bilhão e 20.614 credores

Quando pediu recuperação judicial, a cooperativa declarou passivo de R$ 1,427 bilhão, distribuído entre 20.614 credores. Desse total, R$ 1,317 bilhão eram créditos quirografários, R$ 99,7 milhões tinham garantia real e R$ 10,2 milhões eram trabalhistas. A Cotribá também informou bloqueios de R$ 8,74 milhões em contas bancárias por decisões judiciais.

A recuperação judicial não prosperou. A 6ª Câmara Cível entendeu que a Lei 11.101/2005 não se aplica a cooperativas, em julgamento provocado por recurso do Banco Santander, credor da Cotribá. A liquidação extrajudicial continuada foi o caminho escolhido depois disso.

Entre os débitos a equacionar estão os devidos a produtores rurais, funcionários, fornecedores, instituições financeiras e ao Fisco. A coletiva não detalhou quais credores têm garantias sobre os bens nem quais medidas judiciais pesam sobre o patrimônio.

Prejuízo e gestões anteriores

Strentzke atribuiu parte da crise a compromissos de gestões passadas. Disse que uma consultoria de 2020 recomendou mudanças administrativas que a direção da época não adotou. O relatório não foi apresentado na coletiva. O liquidante também disse que pretende investigar irregularidades das gestões anteriores.

O prejuízo de R$ 164 milhões não veio dividido entre perdas herdadas, resultado operacional deste ano e efeitos de decisões recentes. Strentzke presidia a Cotribá antes da liquidação, e 2026 também foi um ano sob a administração dele. Ele disse que quer reduzir o resultado negativo até dezembro.

Fábrica de rações, unidades e empregos

A nova gestão pôs a fábrica de rações e o recebimento de grãos entre as prioridades. A participação na CCGL (Cooperativa Central Gaúcha) também está entre as apostas. A administração pretende ainda recuperar valores devidos à cooperativa, negociar obrigações e ampliar receitas.

A venda de unidades ou ajustes no quadro funcional não estão descartados. A cooperativa não informou quantos empregos e unidades estão sob risco. Em Cachoeira do Sul, a Cotribá já deixou de operar a unidade da BR-290, que passou para o Grupo Olfar.

O que vem agora

Strentzke ficará responsável por elaborar o plano que organizará patrimônio, prazos e possibilidades de pagamento aos credores. Entre os poderes dele estão renegociar dívidas, contratar empréstimos e financiamentos, vender bens e oferecer ativos em garantia. A primeira prestação de contas formal aos associados deve ocorrer em assembleia, prevista a cada seis meses. A cooperativa não divulgou data para a apresentação do plano de pagamento.

Perguntas frequentes

A Cotribá já tem plano para pagar os credores?

Não. O liquidante Sérgio Strentzke reconheceu que não há cronograma de pagamento; o plano ainda precisa ser feito e os pagamentos dependerão do dinheiro que a cooperativa conseguir movimentar.

A Cotribá pode continuar comprando e vendendo grãos durante a liquidação?

Sim. A cooperativa poderá continuar recebendo, armazenando e comercializando grãos enquanto reorganiza as contas.

Quantos cooperados a Cotribá tem?

A cooperativa tem 11.393 cooperados. Na assembleia que aprovou a liquidação, estiveram presentes 375 associados.

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