Cinco policiais são afastados após blitz em cadeia de Mogi onde Milton Leite estava preso
Ex-vereador foi levado nesta terça (20) para o CDP de Guarulhos; investigação apura corrupção ativa, corrupção passiva e prevaricação.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 2 min de leitura

O Gaeco, do Ministério Público de São Paulo, e a Corregedoria da Polícia Civil fizeram uma blitz na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, na sexta-feira (16). Os investigadores apontam regalias ao ex-vereador Milton Leite (União Brasil), preso na Operação Vectura Corrupta, que apura a infiltração do PCC no transporte público da capital paulista.
Leite foi transferido da cadeia de Mogi nesta terça-feira (20). A Secretaria da Administração Penitenciária informou que o destino foi o Centro de Detenção Provisória (CDP) II, em Guarulhos. Leite nega ligação com a facção e as regalias.
Buscas em três endereços
A ação foi autorizada pelo juiz Domicio Whately Pacheco e Silva, da Vara Regional das Garantias de Guarulhos. Foram três mandados de busca: a cadeia, o 1º Distrito Policial e a casa de um carcereiro conhecido como Braga. Houve apoio da Polícia Militar e da Polícia Penal, com cães farejadores.
Segundo a Promotoria, havia um "fluxo incessante" de visitantes, muitos sem vínculo familiar com Leite. Um Relatório Técnico de Análise Preliminar indica que ele recebeu visitas de políticos, entre deputados e prefeitos aliados, e de amigos fora dos dias e horários permitidos, inclusive à noite e nos fins de semana. Policiais disfarçados fizeram diligências de campo em 8 e 9 de outubro. Os nomes dos visitantes não foram divulgados.
Afastamentos e inquérito
No sábado (17), a Secretaria da Segurança Pública afastou um carcereiro, três delegados e um investigador que atuavam na unidade. A pasta disse que a medida visa evitar interferências nas apurações.
O Gaeco abriu um Procedimento Investigatório Criminal. A Corregedoria instaurou inquérito e uma apuração preliminar, que deve resultar em Processo Administrativo Disciplinar. Os fatos podem configurar corrupção passiva, corrupção ativa e prevaricação. Braga é apontado pelo Ministério Público como quem facilitava as visitas e as demais regalias. Não há indiciamento formal dele divulgado.
Na operação, foram apreendidos R$ 155 mil e US$ 10 mil com um carcereiro suspeito de facilitar as vantagens. O celular de Braga também foi levado. A Promotoria quer extrair as mensagens para chegar a outros policiais e a políticos que foram à cadeia em períodos incompatíveis. Não há prazo divulgado para a extração.
O que diz a defesa
Os advogados de Leite, Aloísio Lacerda Medeiros e Rodrigo Araújo, sustentam que ele "não recebe e nunca recebeu qualquer tipo de regalia ou tratamento diferenciado" na cadeia. Afirmam que ele está submetido às mesmas regras, rotinas e restrições dos demais custodiados. Em depoimento à Polícia, o ex-vereador disse que nunca financiou nem apoiou o PCC.
A prisão temporária de Leite foi prorrogada por mais 30 dias na semana passada. O inquérito tramita sob sigilo judicial.
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