Cinco ecorregiões de recifes de coral do Brasil entram em perigo crítico, diz UICN
Três áreas brasileiras ficaram sem classificação por falta de dados, e a avaliação aponta as ondas de calor marinhas como a principal ameaça.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

Cinco das oito ecorregiões de recifes de coral avaliadas no Brasil foram classificadas como "Criticamente em Perigo" pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). São elas: Parrachos; Atol das Rocas e Fernando de Noronha; Costa dos Corais; Baía de Todos os Santos e Baixo Sul; e Abrolhos. O recorte brasileiro circulou nesta quinta (29), a partir da avaliação global da Lista Vermelha de Ecossistemas.
dessas áreas fica no Rio Grande do Sul. O estudo não detalha efeito específico sobre o litoral gaúcho, mas o alerta sobre o aquecimento dos oceanos vale para toda a costa brasileira.
O que a avaliação diz sobre o Brasil
A classificação indica que ainda há corais vivos, mas que são necessárias medidas urgentes de proteção. Parcel de Manuel Luís, Costa Semiárida e Queimada Grande não receberam classificação geral de risco por falta de dados.
A análise considerou as mudanças dos últimos 50 anos e projeções de estresse térmico para as próximas cinco décadas, em um cenário intermediário do IPCC. As projeções elevaram a categoria de Baía de Todos os Santos e Baixo Sul e de Abrolhos, que, só pelo histórico, ficariam em "Em Perigo".
As ondas de calor marinhas aparecem como a principal ameaça. O documento cita episódios de branqueamento severo e mortalidade de corais em 2019/2020 e em 2024. Entre as pressões estão a sobrepesca, a ocupação da costa, o turismo, os sedimentos e nutrientes vindos do continente, a exploração de petróleo e gás, a mineração, a navegação e espécies invasoras, como o coral-sol e o peixe-leão.
O quadro mundial
É a primeira avaliação global de recifes pela Lista Vermelha de Ecossistemas da UICN. Ela aponta que 96% dos ecossistemas avaliados correm risco de colapso até 2075. O estudo cobre recifes em mais de 80 países e territórios e foi divulgado em 22 de outubro de 2026, na COP17 da Convenção sobre Diversidade Biológica, em Yerevan, na Armênia. No total, foram 127 ecorregiões, das quais 122 ficaram na categoria mais grave quando se consideram as projeções.
Sem as projeções futuras, 30 ecorregiões já estavam na categoria mais grave e outras 116 eram consideradas ameaçadas.
Recomendações
A analista de Conservação do WWF-Brasil Ana Lídia Gaspar afirmou que a falta de dados nas três áreas brasileiras reforça a necessidade de ampliar as pesquisas para orientar a conservação. A avaliação recomenda enfrentar ao mesmo tempo as pressões locais e o aquecimento global.
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