Célia Xakriabá pede apuração de suposto envenenamento da água de Guarani Kaiowá no MS
A denúncia, que também partiu da Apib, seguiu para quatro órgãos federais e cita um áudio de WhatsApp com ameaça de atingir indígenas pela água.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 2 min de leitura

A deputada federal Célia Xakriabá (Psol-MG) pediu investigação sobre um suposto envenenamento da água no território dos Guarani Kaiowá, em Mato Grosso do Sul. Ela disse nesta terça (27) que o episódio veio depois do segundo turno das eleições presidenciais. Lideranças locais procuraram a deputada para relatar o caso, segundo ela.
Segundo Célia, os Guarani Kaiowá têm pouco acesso à água potável e dependem de caminhões-pipa. Para a deputada, contaminar esse recurso coloca em risco a vida dessa população.
Áudio de WhatsApp está no centro da denúncia
Em um áudio no WhatsApp, um dos envolvidos teria dito que é preciso "matar essas praga pela água". A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) também fez a denúncia.
Em publicação no Instagram, Célia Xakriabá escreveu: "Precisamos de respostas urgentes, proteção aos povos Guarani Kaiowá e responsabilização dos envolvidos". Ela condicionou a responsabilização à confirmação das ameaças.
Apib cita ameaças em Tacuru e Nioaque e mortes em Naviraí
A Apib relatou ataques racistas, ameaças de morte e assassinatos em comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul após o segundo turno. Entre os casos citados estão assassinatos em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia e ameaças de envenenamento da água em Tacuru e Nioaque. Segundo a entidade, indígenas do povo Terena denunciaram os crimes dentro de suas aldeias.
Pedido seguiu para MJSP, MPI, MPF e TSE
A deputada encaminhou a denúncia aos ministérios da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e dos Povos Indígenas (MPI), ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A razão é que, segundo ela, o caso está ligado ao resultado das eleições.
Em nota conjunta, os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e da Igualdade Racial (MIR) também pediram investigação do caso. Os três órgãos disseram ainda que atuam em denúncias de violência contra quilombolas e povos de terreiro após o segundo turno.
Até agora, MPF, Polícia Federal e TSE não informaram se abriram procedimento sobre o episódio. O próximo passo é a resposta desses órgãos ao pedido de apuração encaminhado pela deputada e pela Apib.
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