Carta de Flávio Bolsonaro isola senador; Tarcísio e Valdemar rejeitam tom
Kassio Nunes Marques e André Mendonça se afastam do senador, que divulgou o texto dos EUA, e não há investigação confirmada contra ele por causa da carta.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ficou isolado depois de divulgar, na quarta-feira (28), uma carta que contesta o resultado da eleição presidencial de 2026. Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. O texto saiu depois que ele chegou aos Estados Unidos.
O resultado vale para todo o país, inclusive para o Rio Grande do Sul. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, reafirmou em nota que o pleito foi legítimo. O TSE diz que vai analisar questionamentos feitos pelos meios legais.
O que a carta diz
Na primeira versão, Flávio se apresentou como "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". Segundo o Valor Econômico, cerca de 22 minutos depois o texto foi alterado e ele passou a se descrever como "líder do Brasil". Os questionamentos ao resultado foram mantidos.
A carta alega fraude sem apresentar provas. O texto liga a suspeita à prorrogação do horário de votação, decidida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin. O Valor informa que menos de 35 mil votos foram contabilizados entre 17h e 19h, número que não mudaria o resultado.
Um aliado de Flávio nos Estados Unidos atribuiu os "erros" do texto ao uso do ChatGPT, segundo O Globo. Para esse aliado, a expressão "presidente eleito" foi escrita pela ferramenta.
Ministros do TSE tomam distância
Na noite de quarta, após a repercussão da carta, Nunes Marques divulgou nota pública em defesa da Justiça Eleitoral. Sem citar Flávio, ele disse que as eleições transcorreram "dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais".
Segundo a Folha de S.Paulo, Nunes Marques e o vice-presidente do TSE, André Mendonça, tentam se desvincular de Flávio. Em conversas com auxiliares, avaliaram que ele perdeu o bom senso. A informação vem de relatos reservados. Mendonça não se manifestou publicamente sobre a carta.
Na sessão plenária de quinta (29), a primeira desde a divulgação, os ministros não trataram do caso e julgaram os processos da pauta. Nunes Marques e Mendonça foram indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio.
Aliados rejeitam o texto
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, disse a jornalistas na quinta (29) que "ninguém aprovou" a carta. Afirmou que o partido quer "tocar o País para a frente", segundo o Estadão Conteúdo.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse ao Estadão que entende a indignação de Flávio. Afirmou, porém, que a eleição acabou e que o resultado precisa ser respeitado.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, afirmou que nem ele nem o partido têm elementos para declarar que houve fraude. A advogada Maria Claudia Bucchianeri, que representou Flávio em processos no TSE, comunicou a um interlocutor que não pretende apresentar novas ações em nome do senador.
Consequências jurídicas
Não há, até aqui, investigação ou sanção confirmada contra Flávio por causa da carta. Um grupo de advogados pediu à Polícia Federal que apure o uso de símbolos oficiais, como o brasão, no documento. A PF não informou se abrirá inquérito.
Qualquer contestação formal ao resultado terá de ser apresentada ao TSE pelos meios previstos em lei, e o tribunal diz que vai examiná-la.
Saber mais: fontes consultadas (9)
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