Butiá: suspeito de 41 anos é preso por mais de 100 boletins falsos contra mulheres
Segundo a Polícia Civil, o homem abordava mulheres em aplicativos como músico famoso e usava a Delegacia Online para intimidar quem o denunciava.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 3 min de leitura

A Polícia Civil prendeu em flagrante, na sexta-feira (23), em Butiá, na Região Carbonífera, um homem de 41 anos suspeito de agredir e ameaçar mulheres de várias cidades gaúchas. Natural do município, ele é investigado por crimes contra mulheres de diferentes municípios do Rio Grande do Sul. Quando elas o denunciavam, segundo a investigação, ele registrava boletins de ocorrência com informações falsas contra elas na Delegacia Online. Foram mais de 100 registros desde 2025.
Segundo a Polícia Civil, ele usava o próprio sistema de denúncias para intimidar quem procurava a polícia. Algumas das mulheres que o denunciaram têm inquéritos em andamento nas cidades onde vivem ou nas Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (Deams).
Como a investigação começou
A Delegacia de Polícia de Butiá abriu a apuração depois que os policiais notaram um volume fora do comum de ocorrências feitas pelo mesmo homem na Delegacia Online. Segundo a delegada Jusicleia Oliveira, só em 2026 foram identificados mais de 50 registros. Somados aos de 2025, passam de 100.
Ao analisar os boletins, os policiais viram que quase todos tinham mulheres como alvo. Ele as acusava de crimes como ameaça e calúnia. Com o aprofundamento da apuração, a delegada Oliveira, responsável pelo caso, constatou que algumas dessas mulheres também relatavam violência física, psicológica e ameaças feitas por ele.
Músico famoso, ameaças e extorsão
Pelos relatos colhidos, o roteiro se repetia. O homem entrava em contato com as vítimas por aplicativos de relacionamento e redes sociais, apresentando-se como músico famoso. Com algumas, chegou a se encontrar pessoalmente. Com outras, só conversou pela internet.
O comportamento mudava quando elas tentavam encerrar o contato. As vítimas passaram a receber ameaças de morte e, em alguns casos, sofreram extorsão, calúnia e agressões físicas. Quando procuravam a polícia e pediam medidas protetivas, ele registrava ocorrências contra elas. Para a Polícia Civil, a estratégia servia para intimidá-las e submetê-las a violência psicológica.
A investigação também encontrou mulheres que não quiseram prestar depoimento formal por medo de represálias. Algumas contaram ter ouvido ameaças graves, inclusive de que mereceriam ser vítimas de feminicídio. Até agora, 10 mulheres foram ouvidas na Delegacia de Polícia de Butiá.
Flagrante dentro da delegacia
Com base nas provas reunidas, a delegada pediu a prisão preventiva, que não tem prazo definido. O Ministério Público se manifestou a favor, e a Justiça aceitou o pedido.
Na manhã de sexta, enquanto os policiais aguardavam o mandado, o próprio homem foi à delegacia de Butiá para registrar mais uma ocorrência, desta vez contra uma mulher de Canoas. Ele afirmou que ela teria se "autolesionado" e o acusava injustamente. Os agentes encontraram no sistema um boletim feito por ela na quinta-feira (22). No documento, ela relatava que tentou se afastar depois de um relacionamento breve, foi agredida e teve imagens íntimas divulgadas sem consentimento.
Ele foi autuado em flagrante por denunciação caluniosa e violência psicológica contra a mulher. A denunciação caluniosa tem pena de dois a oito anos de reclusão. A violência psicológica, tipificada no Código Penal em 2021, prevê de seis meses a dois anos.
O homem segue preso, à disposição da Justiça. Até a tarde de sexta, ele ainda não havia passado por audiência de custódia, etapa em que um juiz avalia a legalidade da prisão e decide se ela é mantida. O nome do suspeito não foi divulgado, e a defesa dele não foi identificada.
Serviço: como denunciar
A orientação da Polícia Civil é procurar uma Deam. Onde não há unidade específica, qualquer delegacia pode registrar a ocorrência e encaminhar pedido de medida protetiva. O registro também pode ser feito pela Delegacia Online do RS. Em risco imediato, a orientação é ligar para o 190. A Central de Atendimento à Mulher funciona pelo 180.
Perguntas frequentes
Onde denunciar violência contra a mulher no RS?
Procure uma Deam; onde não houver, qualquer delegacia registra a ocorrência e encaminha o pedido de medida protetiva. Também é possível usar a Delegacia Online do RS. Em risco imediato, ligue 190; a Central de Atendimento à Mulher funciona pelo 180.
Qual a pena para denunciação caluniosa?
Pela matéria, a pena é de dois a oito anos de reclusão.
Qual a pena para violência psicológica contra a mulher?
Conforme a matéria, a pena prevista é de seis meses a dois anos.
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