Três homens são presos por morte de empresário em Farroupilha; polícia aponta dívidas
Polícia Civil apreendeu duas pistolas, cheques e anotações em oito endereços; a defesa diz que ainda não decidiu se pedirá habeas corpus.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 3 min de leitura

A Polícia Civil prendeu temporariamente três homens, de 20, 36 e 44 anos, na segunda-feira (19), em Bento Gonçalves. Eles são suspeitos de envolvimento na morte do empresário Claudir Ademir Boroto, de 53 anos, encontrado morto na madrugada de 29 de agosto, num sítio da Linha Sertorina, em Farroupilha. A polícia trata o caso como latrocínio, que é o roubo seguido de morte.
Boroto era dono da Boroto Veículos, revenda em Bento Gonçalves, e um dos empresários mais antigos do ramo automotivo na Serra. A prisão temporária vale durante a investigação e não é condenação.
Dívidas e cheques seriam o motivo
Segundo a Polícia Civil, o homem de 44 anos é apontado como possível mandante. Ele era próximo de Boroto, com quem fazia negócios e transações financeiras. A principal linha de investigação é que o crime foi planejado para roubar cheques que estavam com o empresário e apagar dívidas que o suspeito tinha com ele.
O homem de 36 anos seria funcionário do mandante e teria sido chamado para executar o crime. Ele teria contado com a ajuda do jovem de 20 anos, que, segundo a investigação, não tinha ligação com a vítima e teria recebido cerca de R$ 2 mil. A polícia também atribui ao mandante a tarefa de buscar os outros dois investigados depois que o Jeep Renegade da vítima foi incendiado, em Bento Gonçalves.
De acordo com o delegado Fernando Cruz Alexandre, da Delegacia de Polícia de Farroupilha, os dois apontados como executores teriam sido deixados na casa da vítima por volta das 19h. Eles teriam esperado a chegada de Boroto, que voltou de um jantar em Garibaldi perto da meia-noite. O corpo foi achado num açude próximo à propriedade, com ferimentos de machado na cabeça, e foi um familiar quem o encontrou, por volta das 2h.
Prisões em delegacias e num supermercado
A Justiça decretou as prisões no início da tarde de segunda. Segundo a Polícia Civil, as equipes saíram logo em seguida para cumprir os mandados antes do início da restrição a prisões cautelares prevista na lei eleitoral.
Um dos suspeitos foi preso no local de trabalho, num supermercado. Os outros dois foram presos enquanto prestavam depoimento, em casos distintos, na 1ª e na 2ª Delegacias de Polícia de Bento Gonçalves. Nos mandados de busca, cumpridos em oito endereços, os policiais apreenderam duas pistolas e munições no apartamento de um dos investigados, além de cheques e anotações. Segundo os investigadores, um dos presos usava uma jaqueta e uma mochila que teriam pertencido à vítima.
O delegado atribui o esclarecimento do caso à análise de um grande volume de imagens de videomonitoramento, que permitiu reconstituir o trajeto dos suspeitos por três municípios da Serra. Ele informou que as investigações continuam, com análise dos celulares e dos objetos apreendidos, dentro do prazo legal de 30 dias, prorrogável até 60 no total. A polícia não informou se pedirá prisão preventiva.
O que diz a defesa
Os três investigados são representados pelo advogado Vinicius Boniatti. Ele disse que acompanhou o cumprimento dos mandados e que ainda tem acesso parcial ao conteúdo da investigação, que classificou como extensa e complexa. Sobre um possível habeas corpus, afirmou que ainda não há definição e que é cedo para dizer. Segundo o advogado, a defesa está reunindo informações para escolher a estratégia jurídica.
Ao fim do prazo da prisão temporária, os suspeitos devem ser soltos, a menos que a Justiça prorrogue a medida ou decrete prisão preventiva. O inquérito segue na Delegacia de Polícia de Farroupilha, com apoio das delegacias de Bento Gonçalves, da de Garibaldi e do Setor de Inteligência da Brigada Militar de Bento Gonçalves.
Perguntas frequentes
Quem são os presos pela morte do empresário em Farroupilha?
Três homens, de 20, 36 e 44 anos, presos temporariamente na segunda-feira (19) em Bento Gonçalves, suspeitos de envolvimento na morte de Claudir Ademir Boroto.
Por quanto tempo os suspeitos ficarão presos?
A prisão temporária vale durante a investigação, que tem prazo de 30 dias, prorrogável até 60 no total; depois disso, eles devem ser soltos, salvo prorrogação ou prisão preventiva.
Saber mais
- Polícia Civil (nota) via Spaço FM
- Polícia Civil (nota) via O Estafeta
- Delegado Fernando Cruz Alexandre (entrevista) via Leouve
- Detalhes da operação (Polícia Civil) via Jornal Semanário
- Defesa dos suspeitos (advogado Vinicius Boniatti) via Jornal Semanário
- Mandados de busca em oito endereços via Pauta Serrana
- Perfil da vítima e do crime via Difusora 97.3 FM
- Perfil da vítima via NB Notícias
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