Brasília: PF diz que ex-presidente do BRB cobrou pressa com o Master após alertas
Relatório enviado ao STF trata de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito vendidas ao banco público do DF, com ao menos R$ 12,2 bilhões sem comprovação.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 2 min de leitura

A Polícia Federal sustenta que Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), pressionou equipes do banco a acelerar operações com o Banco Master. As cobranças continuaram mesmo depois de alertas sobre problemas nas carteiras de crédito. Segundo reportagem do g1 Distrito Federal, mensagens analisadas pelos investigadores indicam que Costa definia prioridades e quais operações deveriam ser concluídas.
A acusação faz parte do relatório que levou ao indiciamento de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master, e de outras 14 pessoas. A PF indiciou os envolvidos nesta quarta (28). O caso mexe com dinheiro de um banco público e com a confiança no sistema financeiro. O próprio BRB calcula prejuízo de cerca de R$ 8 bilhões com a operação.
O que diz o relatório da PF
A conclusão consta de um relatório parcial no Inquérito 5.026, que trata da tentativa de venda do Master ao BRB e tramita no Supremo Tribunal Federal. O documento tem mais de 700 páginas.
Segundo o relatório, o BRB comprou cerca de R$ 17,5 bilhões em ativos e carteiras de crédito do Master entre julho de 2024 e outubro de 2025. Ao menos R$ 12,2 bilhões desse total correspondem a créditos negociados sem comprovação de existência. A PF aponta fraude principalmente na fabricação de falsas carteiras de crédito consignado.
Costa foi indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa. Ele está preso desde 16 de abril por ordem do ministro André Mendonça, do STF, suspeito de receber propina de Vorcaro em imóveis de luxo. As imputações ainda dependem da análise das autoridades competentes e não representam, por si só, uma condenação.
O que dizem as defesas
A defesa de Costa alega que ele não sabia das irregularidades nas carteiras e que cumpriu ordens do acionista majoritário, o governo do Distrito Federal, ao fechar o negócio. Os advogados disseram ter recebido o indiciamento "com surpresa".
A defesa de Vorcaro afirma que não houve prejuízo ao BRB, porque as carteiras de consignado foram substituídas por outros ativos. Os advogados chamam o indiciamento de "açodado e afoito", pedem o arquivamento do inquérito e a revogação da prisão preventiva.
O relatório está no STF, que recebeu o pedido de arquivamento e de revogação da prisão feito pela defesa de Vorcaro.
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