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Brasil tem 394.863 pessoas em situação de rua e política pública 'no escuro', diz UFMG

Observatório aponta escassez de dados e metodologias inadequadas, e a avaliação dos programas de Lula e Flávio Bolsonaro conclui que nenhum cita o tema de forma específica.

Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

Pessoas em situação de rua dormem sobre cobertores e papelão em calçada de Porto Alegre (2020).
Foto: Eugenio Hansen, OFS / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

O Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da UFMG, afirma que o país elabora e avalia ações para esse grupo sem base sólida de informação. "Governamos no escuro devido à escassez histórica e metodologias inadequadas", diz o observatório. A estimativa mais recente, divulgada em julho de 2026, é de 394.863 pessoas nessa condição no Brasil.

Para o gaúcho, isso significa que vagas em abrigo, equipes de rua e programas de moradia são planejados sem que ninguém saiba o tamanho exato da demanda. O Rio Grande do Sul tinha 15.906 pessoas em situação de rua, segundo levantamento com dados do CadÚnico divulgado em novembro de 2025.

Estimativa vem de cadastro, não de contagem na rua

O observatório foi implementado em dezembro de 2021 pelo Programa Polos de Cidadania, na Faculdade de Direito da UFMG. Os números vêm do Cadastro Único (CadÚnico), do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS). Ou seja, são registros administrativos, não uma contagem presencial.

A série mostra crescimento rápido. Eram 327.925 pessoas em dezembro de 2024 e 365.822 no fim de 2025. Entre as explicações, os pesquisadores citam o fortalecimento do CadÚnico, o que sugere que parte da alta pode ser mais gente cadastrada, e não só mais gente na rua.

O cadastro tem limites. Em Porto Alegre, o presidente da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc), Matheus Xavier, afirmou em 2025 que "a população é muito volátil". Ele lembrou que o CadÚnico é autodeclaratório e atualizado de dois em dois anos.

Na capital, cada fonte dá um número

Em Porto Alegre, os totais variam conforme a fonte. Reportagem de 2024 citava que o último censo da prefeitura apontava cerca de 4.800 pessoas em situação de rua. O CadÚnico registrava 4.549 em abril de 2024 e 5.226 em fevereiro de 2025. Dados do MDS indicam mais de 7 mil pessoas na capital. Pesquisadores e organizações sociais afirmam que o total deve ser maior, porque nem todos estão inscritos nos sistemas do governo.

Em 2025, a prefeitura já tinha encomendado à UFRGS um censo para atualizar os dados.

Candidatos não tratam do tema de forma específica

A avaliação dos programas de governo é atribuída ao coordenador do observatório, André Luiz Freitas Dias. Ela concluiu que os planos de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) não mencionam especificamente a população em situação de rua. As propostas gerais de moradia e assistência social existem nos dois documentos, mas não são dirigidas a esse público. O tema aparece na lista de assuntos que ficaram à margem das campanhas, em levantamento publicado pelo G1 neste sábado (24).

A tentativa de preencher a lacuna já tem data. Em maio de 2026, o IBGE e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania anunciaram o primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua, com resultado previsto para 2028.

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