Bolsa aciona circuit breaker após reeleição de Lula; Goldman vê só ajuste fiscal modesto
Banco americano diz que a escolha do ministro da Fazenda será o principal foco de volatilidade, mas aponta chances em commodities, agro e energia verde.
Por que afeta o RS: Alta carga tributária prevista e oportunidades em commodities e agronegócio podem afetar empregos e preços no estado.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

A B3 suspendeu as negociações por 30 minutos na manhã desta segunda (26), depois que o Ibovespa caiu 10% sobre o fechamento anterior. A queda veio em meio à forte reação dos investidores à reeleição de Lula, confirmada no domingo (25). O circuit breaker não era acionado desde março de 2020.
O câmbio também reagiu. Às 11h12, o dólar chegou a R$ 5,58, alta de 11,81% sobre a sexta-feira, e o Ibovespa marcava 172.506 pontos, queda de 15,88%. Para o RS, dólar alto costuma aumentar a receita em reais de quem exporta e encarecer insumos e equipamentos importados. O efeito varia conforme preços, contratos e exposição cambial de cada empresa. Ações de exportadoras estiveram entre os poucos papéis em alta na B3 durante a queda.
Goldman espera pouca mudança nas contas públicas
Em relatório, os analistas Alberto Ramos e Panteleymon Semka, do Goldman Sachs, afirmam que esperavam a reação do mercado. Eles projetam, no máximo, medidas modestas do governo para conter o avanço dos gastos e esperam novas altas na carga tributária.
Segundo o banco, a escolha do futuro ministro da Fazenda será o principal componente de volatilidade daqui para frente. Os analistas recomendam atenção aos sinais de ajuste fiscal e à composição dos ministérios.
O relatório também lista oportunidades. Com conflitos geopolíticos pressionando os preços das commodities, o Brasil tende a se beneficiar no médio prazo, e a produção de petróleo e gás cresce de forma constante. O banco vê o agronegócio brasileiro como competitivo e em expansão, além de potencial em energia verde, minerais críticos e terras raras.
Ramos e Semka citam ainda como pontos fortes o arcabouço de metas de inflação, o superávit comercial, o investimento estrangeiro direto e as reservas internacionais. Para destravar o crescimento, escrevem, será preciso antes de tudo uma "mudança crível no regime fiscal".
Nomes cotados e leitura de economistas
O governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), é cotado para a Fazenda no próximo governo. A informação partiu da coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles. As conversas ainda tratam as possibilidades como cotações, sem anúncio oficial de composição ministerial. A Super Rádio Tupi também cita o vice-presidente Geraldo Alckmin como possível nome para a pasta.
Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, avalia que a reeleição pressiona os ativos porque contraria as apostas em uma mudança fiscal mais rápida. Leonardo Mendes, economista da Manchester Investimentos, vê uma reversão do otimismo que sustentava os ativos brasileiros desde o primeiro turno.
Os nomes do novo governo devem ser decididos somente a partir do fim de novembro, segundo a Super Rádio Tupi. Até lá, Bolsa e dólar seguem sujeitos às sinalizações sobre a política fiscal.
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