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Amazon Leo, via Sky, deve estrear pelo Sul do país em 2026 e desafia a Starlink de Musk

Anatel liberou em 9 de outubro a faixa de 2 GHz para a Starlink testar internet direto no celular, e a guerra na Ucrânia expôs o peso de depender de uma empresa privada.

Redação Bairrista · 18 de outubro de 2026 às 04:25 · 3 min de leitura

Amazon Leo, via Sky, deve estrear pelo Sul do país em 2026 e desafia a Starlink de Musk
Ilustração: Bairrista/IA

A Sky Brasil prepara a venda do Amazon Leo, internet por satélite de órbita baixa da Amazon. O Sul do país será a primeira região atendida, com previsão de estreia em 2026. A concorrente direta é a Starlink, de Elon Musk, que tem papel central em zonas de guerra e ganhou novo aval da Anatel neste mês.

Quadro: Amazon Leo, via Sky, deve estrear pelo Sul do país em 2026 e desafia a Starlink de Musk
Entenda em um quadro · Bairrista

Para quem vive no campo gaúcho, onde a fibra e o sinal de celular ainda falham em muitas propriedades, a chegada de um segundo provedor global pode ampliar a oferta. A Sky não divulgou preço nem lista de municípios do RS que serão atendidos na largada.

Sul sai na frente por causa da órbita dos satélites

O presidente da Sky, Gustavo Fonseca, anunciou a parceria em 13 de novembro de 2025, em São Paulo. Ele explicou que a cobertura inicial será possível porque a constelação está mais densa no sul do continente. Segundo Fonseca, os satélites são adensados "começando mais de baixo", até cobrir todo o território.

A previsão é que o serviço seja liberado de forma gradual, do sul do globo até a linha do Equador, no ritmo da implantação da constelação. O plano é chegar a 3.236 satélites a cerca de 630 quilômetros da superfície, depois de mais de 80 lançamentos.

A rede avança. Em 2 de julho de 2026, a Amazon lançou 29 satélites em um foguete Atlas V e elevou a constelação para 396 unidades em órbita. Com isso, a Amazon chegou a cerca de 12% da meta final.

Starlink ganha faixa de 2 GHz para testar conexão direta ao celular

A Starlink já opera no Brasil com antena própria. Em 9 de outubro, a Anatel deu um passo a mais. O Conselho Diretor decidiu por 4 votos a 1, no Acórdão nº 265/2026, relatado pelo conselheiro Alexandre Freire.

A empresa havia pedido 30+30 MHz na banda S, a totalidade disponível no país, e o colegiado aceitou o pedido subsidiário de 15+15 MHz. Cinco dos 15 MHz, entre 1.990 MHz e 1.995 MHz e entre 2.180 MHz e 2.185 MHz, valem excepcionalmente até 5 de junho de 2029. O bloco principal de 10+10 MHz vale até 10 de fevereiro de 2038.

Para o consumidor, nada muda por enquanto. O serviço não está disponível comercialmente, e a Anatel diz que a tecnologia segue em fase de testes e regulamentação. Também não há celulares compatíveis com a frequência no Brasil, e a Starlink não pediu para operar a conexão direta comercialmente.

O poder de uma empresa sobre a comunicação de uma guerra

Na Ucrânia, a Starlink virou ferramenta de comunicação militar e civil desde a invasão russa, em fevereiro de 2022. Relatos também apontam o uso dos terminais no Sudão, no Irã e na Faixa de Gaza.

Nessas áreas, a rede costuma ser a única conexão disponível. Isso concentra decisões numa empresa privada, a SpaceX. O episódio em que o serviço não foi ativado perto da Crimeia, em 2022, virou o símbolo mais citado dessa dependência.

O mesmo raciocínio vale para emergências no Brasil. Em enchentes ou apagões, quem depende de um único provedor estrangeiro fica sujeito a regras que não definiu. O governo brasileiro não tem, até agora, posição pública específica sobre o tema.

Rivais tentam quebrar o domínio da Starlink

A Europa tenta reduzir a dependência com a Eutelsat, dona da OneWeb, e com o projeto IRIS², rede de satélites seguros da União Europeia. A China desenvolve dois sistemas próprios, o Guowang e o Qianfan. A Amazon é a rival americana da SpaceX e a única das três com chegada anunciada ao mercado brasileiro.

Serviço

O Amazon Leo será vendido no Brasil pela Sky, com estreia prevista para 2026, começando pela região Sul. Preço e cidades atendidas devem ser anunciados pela empresa. Na Starlink, a expedição do ato de outorga depende do pagamento de R$ 102.677. A segunda geração da conexão direta ao celular deve começar a ser implantada em 2027, e a operação depende do lançamento de pelo menos 750 satélites em dois anos.

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